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Syriza aprova congresso extraordinário em setembro

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FOTO YIANNIS KOURTOGLOU/REUTERS

Reunião do comité central do Syriza foi marcada por uma dura troca de acusações. Tsipras destacou as “pequenas vitórias” do governo grego, enquanto a ala mais à esquerda acusou o primeiro-ministro helénico de aceitar a “ditadura do euro” e de assumir um comportamento “infantil e surreal”

Num encontro que já se adivinhava tenso, o comité central do Syriza aprovou esta quinta-feira a realização de um congresso extraordinário em setembro. Foi feita assim a vontade do primeiro-ministro grego, que defendia a realização do congresso só após a conclusão das negociações com os credores, que deve ocorrer até o próximo dia 20 de agosto.

A reunião começou pouco depois do meia-dia e prolongou-se pela noite fora, com Tsipras a apelar à unidade do partido e ao apoio dos deputados ao plano acordado na cimeira da zona euro, e a ala mais à esquerda a criticar as medidas impostas pelos credores.

“Temos de concordar que não podemos continuar desta forma. É um absurdo este estranho e sem precedentes dualismo dentro do partido” , declarou o primeiro-ministro grego durante o seu discurso inicial, num antigo cinema de Atenas.

O governante reconheceu que foi obrigado a tomar “decisões difíceis”, garantindo contudo que não tinha “opção” para o país poder continuar na zona euro. “Se existe alguém que pensa que poderia conseguir um melhor acordo, venha aqui e explique em que termos seria”, desafiou os deputados.

Defendendo que o executivo helénico tem conquistado “pequenas vitórias”, Alexis Tsipras sublinhou que é necessário dar continuidade a estes seis meses de trabalho . “Nós, enquanto governo de esquerda e um pequeno país, criámos as primeiras fendas na hegemonia conservadora e neoliberal na Europa. Temos que continuar como um governo prosseguissista”, insistiu.

Entre os principais dissidentes internos, o ex-ministro da Energia, Panagiotis Lafazanis, falou para acusar o Executivo de compactuar com a “ditadura do euro” e de ceder às pressões alemãs. “Este país já não é uma democracia, mas um peculiar tipo de totalitarismo. A Grécia vive sob a ditadura do euro“, afirmou Lafazanis.

Também a presidente do Parlamento, Zoe Constantopoulou, teceu duras críticas a Tsipras, acusando o chefe do governo de ter um corportamento “infantil e surreal“, acabando por concordar com medidas que são contrárias às suas promessas eleitorais.

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