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“O presente da Guiné para o mundo”: OMS anuncia vacina 100% eficaz contra o ébola

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Também os médicos em contacto com o vírus foram vacinados durante a fase de teste

CELLOU BINANI/AFP/Getty Images

Vacina foi testada em quatro mil pessoas na Guiné Conacri. Os testes vão continuar, mas os Médicos Sem Fronteiras já aconselham que os países afetados comecem a utilizá-la

Depois de mais de 1200 mortos e 27 mil casos identificados, a Organização Mundial de Saúde anunciou esta sexta-feira uma vacina 100% eficaz no combate ao ébola. "Este é um presente da Guiné para a África Ocidental e para o mundo", disse em comunicado Sakoba Keita, coordenador da equipa de resposta ao ébola na Guiné-Conacri.

"Este é um desenvolvimento extremamente promissor. O crédito vai para o governo da Guiné, as pessoas que vivem nas comunidades e os nossos parceiros do projeto. Uma vacina efetiva será outra ferramenta muito importante para atuais e futuros casos de ébola", informou em comunicado Margaret Chan, diretora-geral da Organização Mundial de Saúde.

A experiência foi implementada pelas autoridades da Guiné-Conacri, pela Organização Mundial de Saúde, pelos Médicos Sem Fronteiras e pelo Instituto de Saúde Pública Norueguês.

A fase de teste começou a 23 de março deste ano, nas comunidades afetada pelo vírus do ébola. Foram selecionados 100 pacientes infetados e as pessoas mais próximas foram vacinadas: familiares, vizinhos e colegas de trabalho. No total quatro mil pessoas testaram voluntariamente a vacina.

As experiências vão continuar e o próximo passo é testar a vacina em crianças e jovens, uma vez que já ficou provado que a substância administrada é segura. "Com uma taxa de eficácia tão alta, todos os países afetados devem imediatamente começar a multiplicar a vacinação nas pessoas mais próximas para quebrar a transmissão", aconselha Bertrand Draguez, dos Médicos Sem Fronteiras.

O mais grave surto de ébola desde que o vírus foi identificado começou em dezembro de 2013. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, morreram 1279 pessoas e foram identificados mais de 27 mil casos. Cerca de 99% dos casos localizaram-se na Guiné-Conacri, Serra Leoa e Libéria.