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Novo líder e um processo de paz controverso: os talibãs estão em convulsão

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Afegão segura um calendário ilustrado com imagens dos líderes do Afeganistão (incluindo a fotografia do falecido líder dos talibãs, Mullah Omar), em Kandahar, esta sexta-feira

JAVED TANVEER / AFP / GETTY IMAGES

Mullah Mansour, “figura-chave” e amigo de confiança do falecido Mullah Omar, é o novo líder do grupo terrorista. Mas nem todos apreciam a escolha nem as negociações de paz em curso - dizem que preferem lutar pelo poder a negociá-lo

A morte do líder dos talibãs foi confirmada, o seu sucessor foi nomeado e, a pedido do grupo terrorista, as conversações de paz com o Governo afegão foram adiadas. Mas a esperança para a resolução do conflito armado que assola o país há mais de 13 anos continua acesa.

“O Paquistão e outros países amigos do Afeganistão esperam que os líderes talibãs continuem empenhados no processo de negociações, a fim de promover a paz duradoura no Afeganistão”, lê-se num comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros do Paquistão.

As conversações de paz iniciaram-se este mês no resort paquistanês de Murree e, esta sexta-feira, deveria ser realizada a segunda ronda. Antes de Mullah Omar ter sido dado como morto, o site oficial dos talibãs divulgou um comunicado no qual o seu líder declarava apoio às conversações com o Governo de Cabul.

Os talibãs não divulgaram a morte de Mullah Omar antes porque temiam que, sem o líder, o grupo perdesse a união e os seus militantes ficassem sem moral para lutar contra o Afeganistão, defende Michael Sempre, perito no estudo dos talibãs e professor convidado na Universidade de Belfast.

A escolha do novo líder - Mullah Akhtar Mohammad Mansour - poderá ter o mesmo efeito. Muitos talibãs mostram-se contra a sua liderança, criticam as negociações de paz e dizem que preferem lutar pelo poder do que negociá-lo. Nos últimos anos, muitos terroristas abandonaram os talibãs para se juntarem ao autodenominado Estado Islâmico, chegando a lutar contra o próprio grupo onde foram formados.

O comunicado divulgado pelos talibãs diz que Mansour era amigo de confiança de Mullah Omar.

Numa entrevista à Al Jazeera, Yeha Ghanem, jornalista que cobriu os talibãs durante muitos anos, disse que Mansour era uma “figura-chave” na organização dos talibãs: antes da invasão do Kandahar (terra natal do grupo) pelos Estados Unidos era o seu governador, foi também ministro da Aviação e liderou várias operações secretas dos talibãs.

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