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“Bárbaro ato de terrorismo.” Criança palestiniana morre num alegado ataque de colonos

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Palestiniano na casa do pequeno Ali Saad Dawabsheh, em Duma, aldeia no sul de Nablus, Cisjordânia

ALAA BADARNEH / EPA

Ali Saad tinha apenas 18 meses e morreu depois de a sua casa ter sido incendiada por alegados extremistas judeus. “Vingança”, lia-se num graffiti deixado no local pelos atacantes. Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, diz-se chocado

Um bebé palestiniano de 18 meses morreu queimado na madrugada desta sexta-feira, num alegado ataque de fogo posto por extremistas judeus, em Duma, aldeia no sul de Nablus, na ocupada Cisjordânia.

Os pais do pequeno Ali Saad Dawabsheh e o seu irmão de quatro anos ficaram feridos. Segundo o hospital Rafidia, para onde foram transportados, cerca de 75% dos seus corpos sofreram queimaduras.

Os culpados (quatro segundo testemunhas locais) incendiaram uma outra casa à entrada da aldeia e não abandonaram o local sem antes deixarem nas paredes três marcas: “vingança”, “longa vida a Messias” e “price tag” (nome pelo qual este tipo de ataques ficaram conhecidos).

O ato aparenta ser uma vingança pela recente demolição de dois edifícios no colonato de Beit El, perto de Duma.

Palestina culpabiliza Israel

O exército de Israel já emitiu um comunicado sobre este incidente, onde diz ter reforçado as buscas para encontrar os culpados. “Este ataque contra civis não é nada mais do que um bárbaro ato de terrorismo”, afirmou tenente-coronel Peter Lerner.

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, também já se pronunciou: “Estou chocado com este repreensível e horrendo ato. É um ato de terrorismo em todos os aspetos. O Estado de Israel tem uma posição forte contra o terrorismo, independentemente de quem são os seus autores”.

Já Nabil Abu Rdeineh, porta-voz do Presidente palestiniano Mahmoud Abbas, não parece ser da mesma opinião. Diz que o Governo israelita é “totalmente responsável” pelo crime, visto que continua a apoiar as “atividades ilegais dos colonos”. Rdeineh acusa ainda a comunidade internacional de fechar os olhos aos crimes contra os palestinianos.

Segundo a ONU, pelo menos 120 ataques de colonos contra os palestinianos foram registados desde o início de 2015. Um outro relatório, o da Yesh Din, uma organização israelita de direitos humanos, mostrou que mais de 92,6% das queixas dos palestinianos contra a polícia israelita foram arquivados.