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Varoufakis foi à “guerra financeira” e pode ser julgado pela sua tática

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MARKO DJURICA / Reuters

Ex-ministro grego das Finanças fala numa “guerra financeira” e considera que as medidas impostas a Atenas constitituem o “ataque mais grave” à democracia europeia desde o fim da II Guerra Mundial. Entretanto, o Supremo Tribunal de Justiça helénico está a analisar queixas que têm como alvo Varoufakis, acusando-o de traição e associação a organização criminosa durante as negociações com os credores

Ainda não passou um mês. Yanis Varoufakis deixou o cargo no governo helénico há precisamente 24 dias. Mas o ex-ministro das Finanças continua a dar cartas nos media internacionais, não deixando o seu habitual estilo polémico em críticas às negociações com os credores, nomeadamente às pressões de Berlim.

Numa entrevista esta quinta-feira à revista alemã “Stern”, Varoufakis lamentou as consequências daquela que considera ser uma “guerra financeira“ que atingiu Atenas. “Tratou-se de uma guerra financeira. Hoje vocês não precisam de tanques para derrotar alguém. Têm os bancos“, declarou o ex-ministro.

Afirmando que não é um “pacote de resgate, mas uma imposição”, Varoufakis criticou a celebração - no passado dia 13 de julho, após a cimeira da zona euro - do acordo que na sua visão constitui o “maior ataque à democracia europeia desde o fim da Segunda Guerra Mundial“. “Eles sorriem ao enterrar os valores, ideais e princípios da democracia“, sublinhou.

Garantiu ainda que as reformas previstas no acordo irão conduzir à “miséria e ao sofrimento”, mas não ao crescimento económico. “No entanto, eu não diria que as pessoas foram enganadas. Talvez seja ainda pior: nós nos tenhamos enganado a nós mesmos”, acrescentou.

Em janeiro, explicou Varoufakis, o governo helénico criou um “gabinete de guerra de cinco, seis pessoas” que se dedicaram ao cenário de Grexit [saída da Grécia da zona euro]. “Tivemos de tomar todos os aspectos em consideração, afinal de contas, nós tivemos nossas costas para a parede. O que vai acontecer a seguir? Eu sempre tentei pensar um passo mais à frente do que os nossos homólogos”, frisou.

Estas últimas declarações surgem depois de o jornal “Kathimerini” ter noticiado no domingo que Yanis Varoufakis divulgou numa teleconferência com investidores em Londres, no passado dia 16 de julho, que Tsipras lhe tinha pedido para criar um sistema paralelo de pagamentos que possibilitasse o regresso ao dracma.

Esta revelação polémica levou à apresentação de pelo menos duas queixas contra o ex-ministro das Finanças grego, que é acusado de traição e associação a grupo criminoso. A procuradora do Supremo Tribunal helénico, Efterpi Koutzamani, já está a analisar o teor das queixas, embora segundo especialistas legais ouvidos pelo "The Guardian" seja difícil provar tais atos, o que faria Varoufakis perder a imunidade parlamentar.

O ex-governante e deputado do Syriza alegou que "o grupo de trabalho trabalhou exclusivamente no âmbito das políticas do governo e as suas recomendações foram sempre no sentido de servir o interesse público, no respeito das leis da terra, e em manter o país na zona do euro."

Durante a teleconferência, Yanis Varoufakis sugeriu também que a troika - constituída pelo FMI, BCE, CE e MEE - controlava a autoridade tributária grega, o que o teria levado a mandar piratear o sistema para criar o sistema de contingência. Entretanto, a Comissão Europeia desmentiu na terça-feira a versão do ex-ministro das Finanças grego, acusando-o de proferir declarações “falsas”.

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