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Polícia angolana nega detenções. Apenas “recolheu” vários manifestantes

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As autoridades de Luanda são acusadas de ter reprimido a manifestação de quarta-feira, carregando sobre as pessoas concentradas no Largo da Independência. De manhã, um plantão de agentes cercou a Rádio Despertar

A Polícia Nacional de Angola nega ter feito detenções durante a manifestação que, na quarta-feira, juntou algumas dezenas de jovens que exigiam a libertação dos 15 ativistas detidos desde junho.

A força policial, que carregou sobre as pessoas presentes no Largo da Independência, diz que apenas “recolheu” alguns dos manifestantes, por “tentarem alterar a ordem” na cidade, tendo os mesmos sido identificados e depois libertados. Esta foi a garantia dada à agência Lusa pelo porta-voz do Comando Provincial de Luanda, intendente Engrácia Costa.

Segundo o blogue/jornal “Maka Angola”, que fala numa nova repressão de “uma tentativa de manifestação antigovernamental", “33 ativistas e quatro jornalistas” foram levados. Todos foram libertados, afirma também a notícia, ainda que se desconheça “o paradeiro” de nove desses ativistas, por estarem “incontactáveis” desde que a polícia os levou.

O blogue cita o comandante provincial de Luanda, que acusa os ativistas de quererem “criar um facto político”.

“Estão a fazer um jogo sujo. Desligaram os telemóveis e estão escondidos”, afirma o comissário-chefe António Sita, que fez deslocar uma patrulha policial para apurar onde se encontram.

Polícia acusada de proteger manifestação do MPLA

O “Maka Angola”, conhecido por fazer várias denúncias sobre o Estado angolano, acusa ainda a polícia de, em simultâneo, ter protegido uma outra manifestação no local, promovida pelo MPLA.

Também na quarta-feira, e segundo um comunicado da organização “Repórteres sem Fronteiras”, a Rádio Despertar, em Luanda, foi cercada pela manhã “por um plantão de polícias armados”.

O diretor-adjunto da estação, Queirós Anastácio Chiluvia, confirmou-o, dizendo que “a rádio foi rodeada desde as 10 horas por polícias em uniforme e à paisana”, numa ação que o jornalista classificou como “manobra de intimidação para que a rádio não cobrisse a manifestação” apoiada pelo Movimento Revolucionário.

No Largo da Independência, Gonçalves Vieira, jornalista da Rádio Despertar, foi detido pela polícia quando tentava fazer a cobertura dos preparativos do protesto.