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Heroína na luta contra a ocupação russa, ou “máquina assassina de saia”? Arranca o julgamento de Savchenko

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Nadia Savchenko, piloto ucraniana de 34 anos detida desde julho de 2014 na Rússia, acusada de estar envolvida na morte de dois jornalistas russos

DMITRY SEREBRYAKOV / AFP / GETTY IMAGES

Acusada por Moscovo da morte de dois jornalistas russos, a piloto ucraniana Nadia Savchenko começou a ser ouvida em tribunal esta quinta-feira. A comunidade internacional diz que as acusações são “falsificadas” e o seu advogado não acalenta esperanças na libertação por tratar-se de “um caso político”

A piloto da força aérea ucraniana, Nadia Savchenko começou a ser ouvida num tribunal russo esta quinta-feira. Há um ano presa preventivamente, a prisão de Savchenko é um dos casos mais controversos do conflito no leste europeu.

A cidade escolhida pelas autoridades russas para o julgamento foi Donetsk ( não a cidade ucraniana muito flagelada pela guerra, mas uma localidade no oeste da Rússia). Situada junto à fronteira com a Ucrânia, a cidade serve de “base aos soldados separatistas”, diz o advogado de defesa de Savchenko, Mark Feygin.

“A Rússia aposta no fator medo para intimidar os jornalistas estrangeiros”, salienta Feygin. A audiência é proibida à imprensa e a todos os embaixadores ocidentais, que já levantaram questões relativas à sua segurança. Segundo o último tweet de Feygin, o pedido de alteração do local de julgamento está a ser apreciado pelo tribunal russo.

Presa há mais de um ano, Savchenko tornou-se no símbolo da propaganda entre a Rússia e a Ucrânia. No seu país, a piloto é considerada uma heroína e um símbolo da luta contra a ocupação russa. Já do outro lado da fronteira, Savchenko é descrita como “máquina assassina de saia” ou “filha do diabo” acusada de homicídio de dois jornalistas russos.

Organizações de direitos humanos e governos ocidentais exigem sistematicamente a sua libertação. Consideram que as acusações contra Savchenko foram falsificadas. Angela Merkel e Barack Obama são alguns dos nomes que pediram ao Kremlin a sua libertação. Mas Vladimir Putin não cede a pressões, e diz que a piloto ucraniana terá de enfrentar a justiça.

Nadia tem 34 anos, é tenente do exército ucraniano, veterana de guerra do Iraque e membro da delegação ucraniana na Assembleia Parlamentar do Conselho Europeu. Quando o conflito na Ucrânia eclodiu, Savchenko juntou-se ao Batalhão de Voluntários Aidar.

Fotografia da piloto ucraniana numa rua em Kiev

Fotografia da piloto ucraniana numa rua em Kiev

GENYA SAVILOV / AFP / GETTY IMAGES

A piloto lutava como soldado de infantaria em Lugansk quando foi capturada por combatentes pró-russos, no dia 17 de junho de 2014. Três semanas depois, apareceu numa prisão russa. Desde então, está detida.

Moscovo acusa Savchenko de ter morto dois jornalistas da emissora pública russa VGTKR, Igor Kornelyuk e Anton Voloshin, na mesma batalha em que foi capturada.

Ao contrário das alegações de Savchenko, que diz ter sido levada para a Rússia contra a sua vontade, Moscovo alega que deteve a piloto quando esta tentava atravessar ilegalmente a fronteira e pedir estatuto de refugiada.

Ucranianos pedem a libertação de Savchenko, numa manifestação em março, em Kiev

Ucranianos pedem a libertação de Savchenko, numa manifestação em março, em Kiev

SERGEI SUPINSKY / AFP / GETTY IMAGES

Mark Feygin, o advogado de defesa, disse esta semana que os registos de telemóvel de Savchenko provam que ela foi detida uma hora antes do bombardeamento onde morreram os dois jornalistas e que ela nunca esteve na zona do ataque.

Mas apesar de as provas da defesa, as hipótese de Savchenko ser libertada são muito baixas. Segundo Feygin, a piloto ucraniana é “um caso político”, daqueles que “são sempre decididos no Kremlin”.