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Choque, esperança e cautela: as reações à descoberta de possível destroço do MH370

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AZHAR RAHIM / EPA

Primeiro-ministro malaio confirma que a localização do destroço na ilha francesa Reunião é “consistente” com os dados da investigação levada a cabo pelas autoridades do país, mas diz que “ainda é cedo para especular”. Governo australiano defende, por sua vez, que a descoberta do fragmento é um “desenvolvimento muito importante” no âmbito das buscas pelo Boeing 777 da Malaysia Airlines, desaparecido há mais de um ano

Foi num misto de choque, esperança e ao mesmo tempo cautela que reagiram os familiares dos passageiros do Boeing 777 da Malaysia Airlines - desaparecido desde março do ano passado -, à notícia da descoberta de um possível destroço do avião na ilha francesa Reunião, no Oceano Índico.

Uma associação que representa as famílias dos 153 cidadãos chineses que seguiam a bordo do avião malaio já disse preferir “esperar pela análise” ao destroço antes de qualquer conclusão precipitada.

Por seu turno, o vice-primeiro ministro australiano diz, em reação à descoberta, que a localização do objeto é um “desenvolvimento muito importante” no âmbito das buscas pelo voo 370 da Malaysia Airlines. Citado pela CNN, Warren Truss sublinha ser necessário uma maior análise para descobrir se o destroço encontrado é ou não parte do avião desaparecido.

Embora as equipas australianas estejam a liderar as buscas pelo avião malaio por via marítima, serão as autoridades da França, em conjunto com as da Malásia, que irão determinar se o fragmento pertence ou não ao aparelho desaparecido.

AZHAR RAHIM / EPA

Numeração poderá ajudar os investigadores

Warren Truss realça que o destroço encontrado tem inscrita uma numeração - BB670 - o que poderá ajudar os investigadores na análise. Entretanto, o governo australiano ofereceu ajuda à Malásia, nomeadamente a colaboração de especialistas marinhos, para se perceber se o destroço é “consistente” com alguns objetos que flutuaram no mar durante 16 meses ou mais.

Segundo o jornal “The Guardian”, fontes do governo britânico também corroboraram que as autoridades estão a trabalhar com a base na tese de que o destroço pertence ao avião malaio. As declarações do executivo de Londres foram feitas durante uma viagem de David Cameron para a Malásia.

Apesar dos mecânicos da companhia Air Austral acreditarem que o objeto encontrado pertence a uma asa do Boeing da Malaysia Airlines, o primeiro-ministro malaio defendeu esta quinta-feira que ainda é cedo para se terem garantias, recusando levantar “falsos alarmes”.

Najib Razak, primeiro-ministro malaio, reage com prudência

Najib Razak, primeiro-ministro malaio, reage com prudência

FOTO OLIVIA HARRIS/REUTERS

Governo malaio pede precaução

“Os relatórios iniciais sobre os destroços indicam que é muito provável que façam parte de um Boeing 777, mas temos que verificar se se trata do aparelho do voo MH370. Nesta altura, ainda é muito cedo para especular”, declarou Najib Razak numa conferência de imprensa, em Kuala Lumpur.

O primeiro-ministro malaio realçou ainda que a localização do destroço é “consistente” com os dados da investigação levada a cabo pelas autoridades do país, que analisaram a rota do Oceano Índico com destino a África.

Em relação aos procedimentos, Najib Razak explicou que o próximo passo será transportar o destroço - com cerca de dois metros de comprimento - , por parte das autoridades francesas para Toulouse, com vista a ser analisado por peritos do Escritório de Investigação e Análise para a Segurança da Aviação Civil (BEA).

O governante anunciou ainda que uma equipa malaia está a deslocar-se para o local onde foi localizado o destroço, enquanto uma delegação constituída por membros do Ministério malaio dos Transportes e do Departamento de Aviação Civil e da companhia Malaysia Airlines irão acompanhar os trabalhos em Toulouse.

MAK REMISSA / EPA

Promessa aos familiares

Lembrando que no passado houve “falsos alarmes” que alimentaram a esperança das famílias das vítimas, Najib Razak recomenda desta vez precaução. “Assim que tivermos mais informações ou a confirmação faremos uma declaração pública. Prometo a todos os familiares que perderam pessoas neste acidente aéreo, que independentemente do que acontecer não vamos desistir”, garantiu.

Antes, o ministro malaio dos Transportes também pediu precaução. "O objeto localizado deve ser verificado antes de podermos confirmar se pertence ao MH370. Teremos lá uma equipa para que possam fazer a identificação o mais rápido possível", afirmou Liow Tiong Lai, durante uma visita à ONU, em Nova Iorque.

No dia 8 de março de 2014, o avião do voo MH370 desapareceu dos radares após ter mudado de rota, depois de ter partido de Kuala Lumpur com destino a Pequim, com 239 pessoas a bordo.