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Sudanês morre atropelado quando tentava atravessar o Eurotúnel com mais 1500 migrantes

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Muitos migrantes tentam entrar em Inglaterra escondidos nos camiões de transporte que aguardam a sua vez para aceder ao túnel da Mancha

VINCENT KESSLER / Reuters

Foi o nono homem a morrer este verão junto ao Canal da Mancha. Reino Unido diz que vai aplicar €10 milhões na construção de vedações

Cerca de 1500 migrantes tentaram entrar durante a noite de terça para quarta-feira em Inglaterra através do Eurotúnel, no Canal da Mancha, perto de Calais (França). Um deles, um homem sudanês, morreu atropelado e outras 15 pessoas ficaram feridas, estando internadas em Calais. Com esta morte, o total de vítimas deste verão no terminal do Eurotúnel sobe para nove.

As autoridades encontraram esta quarta-feira de manhã o corpo do homem, que tinha “entre 25 e 30 anos” e que terá sido atropelado por um dos vagões onde os camiões são transportados durante a travessia ferroviária do canal, indica o jornal "Le Figaro". Esses vagões são estruturas abertas, onde é fácil uma pessoa agarrar-se. Na zona onde a vítima mortal foi encontrada, o comboio costuma circular a uma velocidade entre os 30 e os 50 km/h, refere o mesmo jornal, precisando que os 15 feridos estão quase todos hospitalizados com fraturas diversas.

Na véspera desta tentativa de travessia por parte de 1500 migrantes, outras 2000 mil pessoas tinham procurado fazer o mesmo.

O primeiro-ministro britânico já veio a público manifestar-se “muito preocupado” pela situação, afirmando que o Reino Unido vai fazer tudo ao seu alcance para a resolver. David Cameron confirmou um investimento de cerca de 10 milhões de euros para criação de novas vedações.

“O assunto de Calais é muito preocupante e, como disse, nós estamos a trabalhar em grande proximidade com os franceses, a secretária de Estado (britânica) do Interior reuniu-se terça-feira com o ministro do Interior francês. Nós investimos muito dinheiro na vedação em torno de Calais, estamos também a colocar vedação em torno da entrada do túnel em Coquelles, pelo que estamos a fazer tudo ao nosso alcance. O secretário de Estado do Interior irá presidir uma reunião ‘cobra’ (reuniões ministeriais britânicas para situações de emergência) esta manhã, para assegurar que esteja a ser feito tudo o que é possível trabalhando com os franceses”, afirmou Cameron, numa declaração efetuada a partir de Singapura.

Na noite de segunda para terça-feira, a tentativa de 2000 migrantes de ultrapassarem as vedações do terminal do Eurotúnel causou o caos na circulação de viaturas, afetando nomeadamente muitos ingleses que regressavam ao seu país vindos de férias.

Aos 100 agentes policiais presentes no local, a empresa do Eurotúnel adicionou esta manhã mais 50 seguranças elementos de uma força de segurança privada.

Viajantes aconselhados a utilizarem outros portos

O gabinete dos Negócios Estrangeiros britânicos aconselha os viajantes do Reino Unido a utilizarem outros portos, como o de Le Havre.

Um porta-voz da empresa que gere o Eurotúnel remete as responsabilidades para o Governo, duvidando contudo da sua capacidade para resolver o problema: “Este é um assunto que cabe ao Governo resolver. Nós precisamos de travar o fluxo de migrantes de Calais, mas isso parece ser demasiado para eles lidarem”.

“Foi no terminal de carga (a tentativa da madrugada de terça-feira) e ocorreram alguns estragos nas nossas vedações, que nós teremos de reparar, efetuados quando eles tentaram entrar em autocarros. Felizmente não houve quaisquer danos nos autocarros. Infelizmente, várias pessoas ficaram feridas”, acrescentou. "São quase sempre ocorrências noturnas - nós estamos a tentar gerir um negócio de viagens aqui", disse ainda o mesmo responsável.

O primeiro-ministro britânico considera que a origem do problema reside no cancro da corrupção no seio dos países pobres, que leva os seus habitantes a saírem dos seus países e tentarem entrar no Reino Unido.

A secretária de Estado do Interior, Theresa May, afirmou que os britânicos, tal como os franceses, estão conscientes de estarem a lidar “com terríveis gangues criminais, traficantes de seres humanos, que estão a lucrar com a miséria humana de muitos”.

Por seu turno, o ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, disse que “70% das pessoas que tentaram entrar na União Europeia, desde o principio de 2015, são migrantes económicos irregulares. Eles não têm o direito de ficarem na Europa”. Acrescentando que eles terão de ser recambiados para os seus países.

[Notícia atualizada às 10h53]