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Há quem se case pelo Skype

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JONATHAN NACKSTRAND/ AFP/ Getty Images

Ela estava no Tajiquistão. Ele estava na Tunísia. O casamento via Skype está a tornar-se tendência entre os jovens islâmicos

Cerca de sete mil quilómetros separavam Shahnoza e Parviz no dia em que se casaram. Estavam em continentes diferentes: ela estava no Tajiquistão, na Ásia Central, e ele estava na Tunísia, Norte de África. A realização da cerimónia só foi possível com a ajuda do Skype.

No mês passado, em Dushanbe, capital do Tajiquistão, a noiva Shahnoza Idrisova estava rodeada pela família. O noivo não estava físicamente presente: Parviz estava no ecrã do computador. Foi assim que os dois casaram aos olhos da religião islâmica.

“Foi um casamento normal. Com o vestido, convidados e depois com uma boa refeição. A única diferença é que o Parviz estava na Tunísia naquele momento”, contou Idrisova à Radio Free Europe/Radio Liberty.

O casal já namorava há dez anos quando Parviz teve uma oferta de trabalho na Tunísia. “O meu pai não permitiu que fosse com ele sem ser casada. Não queríamos esperar mais cinco anos até ao regresso do Parviz, por isso o casamento pelo Skype foi a solução encontrada”, explicou a noiva.

No Tajiquistão, a população é maioritariamente muçulmana e a sociedade bastante conservadora. A coabitação fora do casamento não é vista com muito bons olhos. Concluída a cerimónia religiosa, Shahnoza mudou-se para a Tunísia e só nessa altura é que os recém-casados trocaram as alianças.

É legal?

O governo do Tajiquistão só reconhece o casamento religioso, depois do casal registar o matrimónio no civil. Esta condição coloca em causa a validade de Shahnoza e Parviz. Também os responsáveis pelas cerimónias religiosas já questionam a legitimidade da nova metodologia.

“Se a noiva e o noivo são compatíveis, o casamento vai funcionar bem, não interessa a forma como se conheceram ou como se casaram - seja na internet ou cara a cara. Há vários casamentos que se conheceram online que estão felizes”, defende Marhabo Zununova, chefe do centro de Famílias e Casamento, em Dushanbe.

Se os mais conservadores estão céticos, os mais novos nem por isso. Segundo a RFE/RL, quem casa pelo Skype são sobretudo pessoas na casa dos 20 anos e que acreditam que a tendência chegou para ficar.