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Bruxelas acalma a Europa: “Grexit ficou para trás”

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FOTO REUTERS

Governo grego e instituições credoras acreditam ser possível concluir um acordo até ao próximo dia 20 de agosto. Moscovici diz que um plano B é um “absurdo” e que o “Grexit [saída da Grécia da zona euro] já ficou para trás”

Ao terceiro dia de negociações em Atenas, as expectativas são positivas, estimando-se a conclusão de um acordo dentro do prazo previsto. De acordo com fontes do governo helénico, as discussões entre a equipa técnica do Banco Central Europeu (BCE), Comissão Europeia (CE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) deverão terminar até sexta-feira, assumindo nessa altura o comando os chefes da missão dos credores, refere o jornal “Kathimerini”.

A porta-voz do Governo grego, Olga Gerovasili, afirmou na terça-feira que tem sido demonstrada “boa vontade dos dois lados”, acreditando ser possível concluir as discussões até ao próximo dia 18 de agosto. O Executivo helénico já tinha dito que esperava que o acordo sobre o terceiro resgate fosse concluído até 20 de agosto, a fim de poder cumprir os seus compromissos financeiros, nomeadamente um pagamento de 3,5 mil milhões ao BCE.

Também a porta-voz da Comissão Europeia, Mina Andreeva, disse que está a ser feito tudo para que seja possível alcançar um acordo na segunda metade do próximo mês.

Moscovici também está otimista

Pierre Moscovici mostrou-se igualmente otimista nesta quarta-feira quanto às negociações sobre um terceiro resgate grego. “As conversações estão a decorrer em boas condições. O Grexit [saída da Grécia da zona euro] já ficou para trás”, afirmou o comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros, em entrevista à rádio Europe 1.

Questionado sobre o plano de pagamentos alternativo do Executivo helénico, que foi revelado esta semana, Moscovici considerou ser uma ideia sem sentido. “Um plano B para a Grécia? É um absurdo”, respondeu.

Segundo o comissário europeu, a prioridade neste momento deve ser possibilitar uma maior integração do país na zona euro e o lançamento de reformas económicas que permitam nomeadamente a descida do desemprego.

Grexit seria um “caos absoluto”

Em linha com Angela Merkel, o primeiro-ministro da Baviera defendeu também que a saída da Grécia do euro seria um “caos absoluto”, alertando contudo para a necessidade de o país respeitar os compromissos assumidos com os credores.

“Ninguém pode prever as consequências de um Grexit. Muita da dívida da Grécia teria de ser perdoada e ao mesmo tempo seria necessário ajuda monetária”, disse Horst Seehofer em entrevista ao jornal “Die Welt”.

Nesta altura, a troika visita o Ministério das Finanças e o Banco da Grécia para poder avaliar o estado das finanças públicas helénicas, sobretudo após o controlo de capitais. De acordo com o “Kathimerini”, os técnicos estimam que o produto interno bruto grego deverá recuar entre 2 e 3% este ano.

Reunião de emergência no Syriza

Se as negociações com a troika estão a decorrer a bom ritmo, as divisões no Executivo grego continuam a ameaçar Alexis Tsipras. O comité central do Syriza quer realizar uma reunião de emergência já na quinta-feira, com vista a pôr fim à falta de consenso no partido quanto ao terceiro resgate.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro grego defendera perante os membros do Syriza que os próximos dias serão decisivos e que o alívio da dívida helénica será uma vitória interna, apelando à unidade no partido.

Numa entrevista à rádio Sto Kokkino, Alexis Tsipras voltou hoje a defender que o Governo grego deverá estar apesar de tudo “orgulhoso” das conquistas conseguidas. “Os últimos seis meses foram um período de grande conflito. As instituições não são independentes, nem neutrais. (...) Mas devemos estar orgulhosos da batalha que fizemos”, declarou.

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