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Quem matou Cecil?

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Cecil foi morto a 6 de julho

Zimbabwe Parks and Wildlife Management Authority / HANDOUT

A culpa começou por ser atribuída a um caçador espanhol. Mas, afinal, um dos principais símbolos do Zimbabué foi morto por um dentista norte-americano

Cecil era um leão, uma espécie de símbolo nacional no Zimbabué. Tinha 13 anos. Vivia na reserva natural de Uange. Morreu durante uma caçada ilegal no inicio deste mês, mas só na passada sexta-feira a história foi conhecida. As autoridades montaram uma caça ao homem e inicialmente um espanhol foi acusado. Esta terça-feira, descobriu-se o verdadeiro autor do crime: Walter Palmer, um dentista norte-americano.

Recuemos a 6 de julho, sexta-feira. Durante a noite, acompanhado por um responsável do parque, Walter Palmer tentou chamar a atenção de Cecil com luzes e um animal morto. Conseguiu trazer o leão para a fronteira do parque, onde atirou com um arco e flecha, pela primeira vez.

A seta não o matou, apenas o feriu. Foram precisas 40 horas para matar Cecil. Dois dias depois da primeira tentativa, o leão e o caçador voltaram a encontra-se. Estavam cerca de um quilómetro para lá dos limites da reserva natural. Foi o momento final. Desta vez, Palmer usou um arma de fogo.

Quando os guardas da reserva natural encontraram Cecil, o animal tinha sido esfolado e decapitado.

As crias de Cecil provavelmente vão ser mortas

A investigação levada a cabo apontou primeiramente para um caçador espanhol, que pertencia à Associação de Guias e Caçadores Profissionais do Zimbabué. Após a história se tornar pública foi suspenso do clube por não cumpri as regras de funcionamento.

Esta terça-feira, o verdadeiro caçador foi caçado. O verdadeiro responsável pela morte de Cecil foi um norte-americano: Walter Palmer. A informação foi confirmada pelas autoridades locais e o homem será agora investigado tanto no país africano como nos Estados Unidos da América, avança o “The Guardian”.

Palmer garante que não sabia que aquela caçada era ilegal. No entanto, Johnny Rodrigues, diretor da equipa de conservação do Zimbabué afirma que o caçador pagou 50 mil dólares (pouco mais de 45 mil euros) para que o responsável do parque que o acompanhou na noite da caçada o levasse até aquele leão.

“Estou profundamente arrependido que a prática de uma atividade que adoro e que faço responsavelmente e legalmente tenha resultado na morte deste leão”, disse em comunicado Palmer, citado pelo jornal “Star Tribune”.

Agora, a maior preocupação dos responsáveis pela reserva natural é o destino das crias de Cecil, que provavelmente não chegarão à idade adulta. “A morte do leão Cecil é uma tragédia. Não só porque era um símbolo do Zimbabué, mas também porque agora podemos dar por perdidos as suas seis crias. O novo chefe da manada não vai permitir que vivam, vai matá-los a todos”, assegurou Johnny Rodrigues diretor da equipa de conservação, citado pelo “El País”.

Além do que simbolizava para o país, Cecil fazia ainda parte de uma investigação da Universidade de Oxford, Reino Unido, e por isso mesmo usava um colar com GPS, daí que tenha sido possível seguir os últimos movimentos do animal.

É dentista, casado e com dois filhos

Walter Palmer vive em Eden Prairie, perto de Minneapolis, no Estado de Minnesota, Estados Unidos da América. Tem cerca de 50 anos, é casado, tem dois filhos e é dentista.

A caça sempre fez parte da vida do norte-americano, que aos cinco anos aprendeu a disparar uma arma. No começo da época de caça deste ano, Palmer estava sob o olhar atento das autoridades dos EUA, por ser suspeito de mentir relativamente ao local onde caçou um urso negro, em 2006, no Wisconsin.

Leões, rinocerontes, leopardos e bisontes são alguns dos troféus de caça de Walter Palmer.

“Cecil era um leão protegido. As regras são claras no Zimbabué e um leão protegido não pode ser caçado. Estamos a usar a caça como uma ferramenta de conservação, mas quando essa ferramenta é utilizada desta forma, destrói por completo o principio”, disse Emmanuel Fundira, presidente da Associação de Operadores de Safari do Zimbzbué, citada pelo “The Guardian”.

Em resposta a toda a polémica, Walter Palmer fez saber que confiou na equipa de profissionais que contratou “que asseguraram todas as autorizações”. “Até ao final da caçada, não tinha ideia que o leão que cacei era um animal conhecido, que estava a ser seguido e que fazia parte de uma investigação”, disse em comunicado citado pelo jornal “Star Tribune”.

Entretanto, nas redes sociais as criticas disparam e foi iniciada uma petição online para o culpado pela morte de Cecil respondesse pelos seus atos. Em poucas horas, mais de 12 mil pessoas já assinaram do documento.

Esta terça-feira, depois do seu nome ter sido conhecido, Walter Palmer não apareceu no consultório.