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O homicídio em “legítima defesa” que pode ter desmascarado um “serial killer”

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Caso envolve uma acompanhante e um homem que recorreu aos seus serviços. Depois de a polícia norte-americana ter sido chamada ao local em que tudo aconteceu - a mulher matou o cliente alegando “legítima defesa” -, encontrou um “kit” de matar no carro do indivíduo

“Heather” - nome fictício - ia encontrar-se com um homem que a tinha contactado através de uma página em que oferecia serviços de acompanhantes. A jovem de Charleston, Virgínia (EUA), foi surpreendida quando, ao encontrar-se com o homem, este tentou imediatamente sufocá-la.

Depois de uma longa e árdua luta, a mulher conseguiu agarrar a pistola do atacante e matou-o, tendo alegado posteriormente legítima defesa. Este podia ter sido o fim da história, mas as investigações da polícia revelaram uma verdade inesperada: o atacante, Neal Falls, pode ter sido um assassino em série.

Dentro do carro de Falls, a polícia local descobriu um conjunto de ferramentas que descreveu como sendo “um kit de matar”: gasolina, marretas, cordas, serras, lixívia, facas, algemas e sacos do lixo faziam parte do arsenal encontrado na mala do Subaru de Neal Falls.

Outro indício que pode comprovar a teoria das autoridades é uma lista encontrada pela polícia onde figuram dez nomes, todos de acompanhantes daquele Estado americano. Falls conduzia um veículo com a matrícula de Ohio, Oregon.

Um possível trilho de mortes

Neal Falls pode estar ligado a crimes nos Estados do Nevada, Oregon e Illinois que aconteceram nos últimos dez anos.

Em 2005, Falls viveu em Las Vegas, Nevada, onde quatro mulheres que trabalhavam como acompanhantes desapareceram. Os seus corpos desmembrados foram mais tarde encontrados em Illinois. As autoridades de ambos os Estados dizem que estão a colaborar com a polícia de Virgínia para comparar ADN das cenas locais e de Falls.

Embora tenha vivido em Ohio, Oregon, as autoridades estão reticentes em ligar Falls a seis assassinatos e desaparecimentos de mulheres no ano passado ainda por resolver. “Até agora não existe nenhuma ligação entre Falls e os desaparecimentos em Chillicothe [Oregon]”, disse à CNN o porta-voz da polícia, Michael E. Preston.

A verdade é que as autoridades ainda não conseguiram confirmar a residência de Falls nos últimos anos, sabendo apenas que viveu no Estado de Oregon, o que mantém a porta aberta para a ligação aos crimes.

O perfil de um assassino

“Um homem arrepiante, de poucos sorrisos e bastante silencioso”, esta é a descrição feita por Pauline - nome fictício - que serviu de senhoria a Neal Falls em 2010 e o expulsou depois de o homem desenvolver um comportamento cada vez mais estranho.

Pauline, que despejou Falls da sua casa após um ano de arrendamento, diz que o homem começou de um dia para o outro a ter atitudes estranhas: “Mudou a fechadura, ficando só ele com uma chave. Disse-me que tinha armas e pistolas porque era um segurança”.

Falls estava também debaixo do radar da polícia de Oregon. O sargento Rich Charboneu disse que o seu departamento tinha aplicado várias multas nos últimos anos a Falls, por violações do código da estrada e por deixar o cão à solta.

A irmã de Falls, que também vive em Oregon, prefere manter-se no anonimato, dizendo apenas que a família recusa há anos manter qualquer contacto com ele.