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Escuteiros americanos já podem ter líderes homossexuais

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Noah Berger/Reuters /Twitter

A instituição americana fundada em 1910 decidiu pôr fim a uma regra que impedia, desde 1978, a existência de líderes adultos homossexuais nos escuteiros. Muitas organizações religiosas conservadoras têm protestado contra a medida

Esta medida histórica foi tomada esta segunda-feira, numa tentativa de aliviar as tensões entre os escuteiros americanos e a comunidade homossexual que, durante anos, interpôs processos contra os escuteiros por discriminação. Contudo nem toda a gente está feliz com a decisão.

Para além de vários líderes da instituição que votaram contra a medida, também diversos parceiros dos escuteiros manifestaram a sua indignação perante a medida, ameaçando deixar de apoiar esta instituição da juventude.

No topo desta lista está a igreja Mórmon. O grupo religioso conservador que conta com 6,1 milhões de membros nos Estados Unidos, ameaçou deixar os escuteiros mesmo depois de terem sido assegurados à igreja o direito de escolher os seus líderes locais.

Os mórmones têm uma longa ligação aos escuteiros. Cerca de 17% de todos os escuteiros são mórmones, e o escutismo é visto como a principal atividade para jovens não religiosa do grupo. Espera-se que outros grupos religiosos como a Igreja Católica não partilhem a mesma posição.

Os escuteiros esperavam que as precauções e isenções garantidas a grupos religiosos impedissem uma fragmentação grave da insituição: “Assumi apenas que o que nós votámos hoje pudesse impedir este tipo de surpresas” disse ao "New York Times", Jay Lenrow, escuteiro voluntário de Baltimore, que faz parte do comité dos escuteiros para supervisionar as relações com grupos religiosos. Lenrow admitiu ainda que “tem esperança que os líderes das Igrejas dos Santos dos Últimos Dias [nas quais os Mórmones se incluem] ainda discutam a decisão e encontrem uma solução benéfica para todos”.

“Não é uma vitória, mas é um progresso”

Quem o diz é Zach Wahls, membro dos Escuteiros pela Igualdade, em conversa com o jornal “The Guardian”. O escuteiro apontou o dedo para a proibição de membros gays desde 1978 e para o facto de 70% dos escuteiros serem compostos por membros de comunidades religiosas, como obstáculos que os escuteiros tem que passar para "ultrapassar a discriminação profunda" que existe na instituição.

Para Wahls o problema não é a posição da igreja Mórmon que “não tem muitos membros homossexuais, pelo menos de forma pública”, mas sim as isenções religiosas propostas pelos escuteiros. Citado pelo “Guardian”, Wahls diz que "as isenções religiosas promovem uma mensagem dura e prejudicial a jovens homossexuais e heterossexuais, e não deve existir nos escuteiros”.