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Bruxelas desmente Varoufakis

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CHRISTIAN HARTMANN / Reuters

Comissão Europeia negou que a troika controlasse a administração grega dos impostos, como sugeriu Varoufakis numa teleconferência com investidores privados a 16 de julho, na qual revelou a existência de um Plano B para o regresso ao dracma

A Comissão Europeia diz que “são falsas e infundadas” as alegações de Yanis Varoufakis de que Bruxelas controlava a agência grega responsável pela administração fiscal.

“Alegar que a troika controlava o Secretariado Geral das Receitas Públicas, simplesmente não é verdade”, disse esta terça-feira uma porta-voz do executivo comunitário.

Segundo Mina Andreeva, “a Comissão e o FMI dão apenas assistência técnica à administração de impostos” mas não controlam o que diz ser uma “entidade independente responsável pela administração de impostos, que era antes parte do ministério das Finanças”.

A afirmação de Varoufakis foi feita durante uma teleconferência com investidores privados organizada pelo Official Monetary and Financial Institutions Forum (OMFIF), no passado dia 16 de julho. Durante a conversa, o ex-ministro grego das Finanças revelou um esquema para criar um sistema paralelo de pagamentos, que permitiria que as transações bancárias continuassem no caso de imposição de capitais e feriado bancário prolongado.

O plano de Varoufakis implicava entrar nos servidores (hacking) da Administração Fiscal, permitindo o acesso informático a dados fiscais de empresas e contribuintes gregos, que seriam depois copiados para um computador que, por sua vez, era controlado por um amigo de infância do ex-ministro e por uma equipa de mais quatro peritos informáticos.

O OMFIF decidiu publicar esta segunda-feira o áudio da conversa, depois do jornal grego “Kathimerini” ter publicado excertos que dão conta do Plano B do ex-ministro das Finanças caso a Grécia tivesse de sair da zona euro.

“Estávamos prontos para obter a luz verde do primeiro-ministro assim que os bancos fechassem para aceder ao Secretariado Geral de Receitas Públicas, que não era controlado por nós mas por Bruxelas, para ligar o computador e pôr em marcha o sistema”, explicou Yanis Varoufakis.

O gabinete de Varoufakis, citado pelo “Financial Times”, já veio dizer que o grupo de trabalho responsável pelo projeto “trabalhou exclusivamente dentro do quadro da política governamental, e as suas recomendações tinham como objetivo servir o interesse público, respeitando as leis e mantendo o país na zona euro”.

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