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Agrava-se a crise de desaparecimentos no México

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A descoberta de 129 corpos em valas clandestinas, durante vários meses de buscas dos 43 alunos desaparecidos em setembro do ano passado, exacerba a crise de desaparecimentos no México

A organização não-governamental de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacioal manifestou preocupação perante a descoberta de 129 corpos revelada nesta segunda-feira. Os corpos foram encontrados em resultado de vários meses de buscas pelos 43 alunos desparecidos (entre os 18 e os 21 anos) a 26 de Setembro de 2014 em valas clandestina. Esta descoberta contribui para sublinhar a gravidade dos desaparecimentos no México.

A situação é preocupante, não apenas no estado de Guerrero, onde os estudantes desapareceram em setembro do ano passado, mas noutras zonas do país. A directora da Amnistia Internacional nos Estados Unidos, Érica Guevara-Rosas, revelou: “Esta última revelação macabra confirma o que nós já tínhamos descoberto: A magnitude da crise de desaparecimentos em Guerrero e noutros lugares no México é verdadeiramente chocante”

Os números são de facto alarmantes. De acordo com os últimos dados fornecidos pelo departamento do Interior, desde o ano de 2007 perto de 25 mil pessoas foram oficialmente dadas como desaparecidas. Desta lista, cerca de 11 mil foram registadas após a entrada em funções do atual Presidente do México Enrique Pena Neto.

As declarações de Guerrero surgem no seguimento de a Associated Press ter entrevistado alguns funcionários federais que afirmaram que os corpos foram encontrados em 60 valas clandestinas diferentes, entre outubro e maio últimos.

A Amnistia Internacional explica que os desaparecimentos forçados são aqueles que acontecem com o conhecimento, complacência ou cumplicidade das autoridades. Não se sabe ao certo quantas das 129 vítimas encontradas poderão encaixar neste perfil.

Até este momento, nenhum dos corpos foi directamente ligado ao caso dos alunos da faculdade de Ayotzinapa, que desapareceram depois de um confronto mortal com a polícia, a 26 de setembro, na cidade de Iguala. Os procuradores dizem que os 43 estudantes foram detidos pela polícia, entregues a gangues de droga, mortos e queimados numa descarga de lixo.

No entanto, muitos dos familiares não se deixaram convencer pela versão dos factos apresentada, e exigem que o Governo mexicano lhes apresente uma justificação credível. Como realça Guevera-Rosas, se não fosse a insistência por parte dos pais em querer saber a verdade dos factos o caso poderia não ter ganho esta atenção mediática internacional: “Se não fosse a persistência e determinação das famílias dos estudantes de Ayotzinapa, como defensores dos direitos humanos e dos jornalistas ao exigir às autoridades mexicanas uma resposta concreta sobre o desaparecimento dos jovens poderíamos nunca sequer ter sabido sobre estas grandes valas e da dimensão desta crise”.

Desde o desaparecimento dos estudantes grupos de polícia comunitária, familiares das vítimas, activistas e autoridades têm colaborado na procura de mais valas clandestinas.