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Internacional

Salman, o rei que privatizou uma praia francesa (e os habitantes não gostaram nada)

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FAYEZ NURELDINE/ AFP/ Getty Images

Monarca saudita está a passar férias na Riviera francesa e quem lá mora está incomodado - a praia de que o príncipe vai usufruir estará fechada ao público enquanto ele lá estiver

Um palácio, uma praia privada com elevador, um batalhão de automóveis de luxo e cerca de mil convidados. É assim que o rei Salman da Arábia Saudita e a família vão passar as férias na Riviera francesa. Parece excessivo? Os franceses acham que sim e até já fizeram chegar às mãos de François Hollande uma petição para travar o encerramento da praia pública de que a comitiva real saudita vai usufruir.

O rei da Arábia Saudita aterrou em Nice no último sábado para três semanas de férias nas praias francesas. Consigo chegou um grupo “restrito” de cerca de mil familiares e amigos que voaram em dois aviões privados.

Arranjar camas para toda esta gente não é fácil. Cerca de 300 pessoas vão privar com o rei no Palácio do Horizonte, em Vallauris. O edifício foi construído em 1932 e já acomodou várias figuras bem conhecidas, como Winston Churchill, Rita Hayworth e Marilyn Monroe. O monarca pediu ainda que fosse instalado um trono numa das varandas para que pudesse desfrutar da vista da Côte d'Azur, escreve a BBC.

Os restantes 700 convidados ficam por perto e estão instalados nos hotéis mais luxuosos de Cannes. “O impacto económico para a hotelaria mas também para os restaurantes, motoristas e para todos os que trabalham nesta área é real”, disse Serge Reinhard, diretor de um hotel quatro estrelas, onde metade dos quartos foi reservada pelos sauditas.

De acordo com os motoristas locais, citados pela BBC, o rei alugou pelo menos 400 automóveis de luxo. “Pediram-nos para os levar a restaurantes ou dizem que querem visitar moradias em Saint Tropez, Mónaco, Nice, porque querem comprar propriedades”, contou à AFP um dos motoristas.

Praia proibida, população irritada

Ninguém sem autorização pode aproximar-se do Palácio do Horizonte, tendo sido delimitada uma área de 300 metros em redor da propriedade para garantir a privacidade e o sossego da família real. Também a praia foi temporariamente privatizada. Ou melhor, o acesso aos comuns mortais está proibido ao longo das próximas três semanas e foi ainda construído um elevador.

Ao contrário dos comerciantes, os habitantes não estão muito felizes com todo este aparato. A gota de água foi o encerramento da praia, que até à chegada do rei Salman era pública.

“Compreendemos as questões de segurança e o maior interesse da nação, mas ninguém pode exonerar-se das leis da região”, afirmou Michelle Salucki, presidente da câmara Vallauris, citado pela BBC.

Mais de 100 mil pessoas assinaram uma petição contra o encerramento, insistindo que a praia deve estar disponível “para o beneficio de todos”. Desta ação partiu uma carta de protesto, assinada pelo presidente da câmara de Vallauris, para François Hollande.