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Obama tinha à espera no Quénia muitos pequenos Obamas. E durante a visita nasceram pelo menos um ou dois pequenos Air Force One...

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O fascínio com o “filho perdido do Quénia” é tal que várias crianças nascidas durante a visita de Obama ao país foram batizadas não só com o nome do Presidente, como com os da suas duas filhas e da sua esposa, e ainda com o nome do avião em que viaja: o Air Force One

JONATHAN ERNST / Reuters

A visita africana do Presidente norte-americano seguiu agora da terra-natal do seu pai para a Etiópia, sede da União Africana

Luís M. Faria

Jornalista

Barack Obama terminou a sua visita ao Quénia, a primeira de um Presidente dos Estados Unidos em exercício. Já lá tinha estado antes, de visita à família. O seu pai queniano fez estudos universitários nos Estados Unidos, onde conheceu a jovem norte-americana que se tornaria sua mulher. Embora Barack poucas vezes o tenha visto, pois ele regressou ao Quénia e morreu relativamente novo, a sua presença foi importante na vida mental e emocional do futuro Presidente, que mais tarde escreveu um livro de memórias intitulado “Dreams From My Father” (sonhos do meu pai).

Agora, outros pais e mães projetam os seus sonhos nele. Um número indeterminado de quenianos chamou Barack ou Barack Obama aos filhos nascidos desde 2009, ano em que o Presidente tomou posse. Esperam que o nome os ajude a ter uma vida melhor, repetindo o percurso de Obama, que ascendeu dos seus começos modestos até à eminência suprema do poder.

Nos dias anteriores à visita do Presidente, várias dessas crianças foram entrevistadas por órgãos de comunicação dentro e fora do seu país. A maioria manifestou orgulho no nome que lhe deram, mas alguns não dizem sonhar ser presidentes. Gostavam, sim, de andar num carro grande como o de Obama e de ter uma vida tão confortável como ele tem. E para tal, reconhecem, é essencial estudar, como fez o pai do Presidente.

Alguns dos pais desses meninos esperavam que ele tivesse oportunidade de as conhecer, e talvez mesmo que os ajudasse a conseguir bolsas de estudo. Aliás, o fascínio com o “filho perdido do Quénia” é tal que várias crianças nascidas durante a visita presidencial foram batizadas não só com o nome dele como com os da suas duas filhas e da sua esposa, e ainda com o nome do avião em que Obama viaja: o Air Force One.

A outro nível, a alegria da população deve ajudar a atenuar várias tensões que existem na relação entre os dois países, sobretudo relacionadas com o terrorismo, com Direitos Humanos (Obama defendeu abertamente os direitos das mulheres e dos gays em frente ao seu homólogo Uhuru Kenyata), e com o papel crescente que os chineses estão a assumir em África através dos seus investimentos, nomeadamente na construção de infraestruturas e na exploração de matérias-primas.