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Nova ofensiva militar turca na Síria

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O primeiro-ministro turco garantiu que o país não vai enviar tropas para a Síria

OZAN KOSE/GETTY IMAGES

Bombardeamentos fizeram esta madrugada quatro feridos entre membros de forças rebeldes que lutam contra o Estado Islâmico, diz o Observatório Sírio dos Direitos Humanos. Segundo o primeiro-ministro da Turquia, o país não vai enviar tropas para a Síria

A Turquia bombardeou esta madrugada uma localidade no norte da Síria, ferindo pelo menos quatro combatentes aliados dos curdos, adiantou fonte do Observatório Sírio dos Direitos Humanos. Segundo as Unidades de Proteção Popular Curdas (YPD)- que não referiram a existência de vítimas -, o ataque visou um dos seus veículos.

“Vários projeteis disparados por tanques turcos caíram sobre a localidade de Zur Maghar”, disse Rami Abdel Rahman, do Observatório, explicando que todos os feridos eram membros de forças rebeldes que lutam contra o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) e que não pertencem às Unidades de Proteção Popular.

Esta ação militar é o mais recente desenvolvimento depois de o Governo de Ancara ter desencadeado dois raides aéreos contra as posições do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) no norte do Iraque e tendo por alvo também zonas dominadas por combatentes do Daesh, na Síria. As ofensivas foram levadas a cabo depois de a Turquia ter sido alvo de dois atentados, um reivindicado pelo PKK, no qual morreram dois polícias, e outro, atribuído ao Daesh, que fez 30 mortos e cerca de uma centena de feridos.

O primeiro-ministro turco garantiu, entretanto, que o país não vai enviar tropas para a Síria. "Não vamos enviar tropas para o terreno", declarou Ahmet Davutoglu a um grupo de editores de jornais turcos, de acordo com o diário “Hurriyet”.

No domingo, a Turquia solicitou à NATO uma reunião extraordinária, invocando o artigo 4.º do tratado, que permite consultar os aliados quando se considere “existir uma ameaça à integridade territorial, independência política" ou segurança.de um país. Em causa está a eventual necessidade de assistência face às ameaças que a Turquia enfrenta. A reunião está marcada para terça-feira, em Bruxelas, e, segundo o jornal britânico “The Guardian”, a Turquia poderá propor a criação de uma zona de exclusão ao longo da fronteira com a Síria, área segura para todos os que tentam fugir ao Daesh.

Em visita oficial a Portugal, o ministro dos Negócios Estrangeiros turco afirmou à agência Lusa que o seu país vai participar “de forma ativa” nos ataques aéreos contra o Daesh na Síria, propondo uma estratégia “global” para “erradicar” esta organização. Mevlüt Çavusoglu confirmou que Ancara autorizou os Estados Unidos a utilizarem de novo a estratégica base aérea de Incirlik (sul), e outras instalações, para conduzirem raides aéreos com aviões de combate e ‘drones’ contra alvos jiadistas na Síria ou no Iraque.

“Fizemos agora um acordo com os Estados Unidos e vamos abrir as nossas bases militares. Se alguns países da região e da coligação [internacional] se juntarem decidiremos em conjunto, e no futuro haverá uma muito melhor estratégia para combater o Daesh”, acrescentou.