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Governo a sete da zona euro. Hollande também quer Espanha na “vanguarda”

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As ideias de François Hollande para reformular as instituições europeias não serão certamente consensuais na União Europeia e nos 19 países que integram a zona euro

PHILIPPE WOJAZER / Reuters

França vai avançar no outono com propostas concretas sobre Governo, Orçamento e Parlamento da zona euro. Espanha integrará a “vanguarda” do euro e no Eliseu diz-se que a ideia inclui uma convergência fiscal e um salário mínimo para os países que integrarão o novo Executivo europeu

Paris acha que a solução de institucionalizar uma “vanguarda” dos países que integram a moeda única, através do lançamento de um Governo específico integrando os países fundadores da antiga Comunidade Económica Europeia (CEE, hoje União Europeia) e a Espanha, é fundamental para evitar a implosão do euro.

Segundo a França, este projeto é necessário porque a zona euro está em risco devido às grandes diferenças atualmente existentes entre os diversos parceiros europeus, designadamente no domínio do crescimento económico.

Além do Governo, as propostas francesas incluem, como o Expresso online noticiou há uma semana, a criação de um Parlamento e um orçamento comuns aos países que aderirão ao projeto por vontade própria, sob condição de preencherem os particulares requisitos económicos, financeiros e sociais que serão exigidos e aprovados em futuras discussões entre os diversos países e, sobretudo, entre a Alemanha e a França.

Citadas pelo jornal espanhol “El País”, fontes do Eliseu confirmam a intenção do Presidente François Hollande e adiantam que Paris deseja avançar para um salário mínimo similar e uma convergência fiscal nos países da “vanguarda”, designadamente um imposto idêntico sobre as empresas para evitar o atual dumping fiscal e social.

A França quer que seja igualmente criado um Fundo Monetário Europeu para “intervenção rápida e de solidariedade” nos países da zona euro e também deseja uma união bancária reforçada nos países do futuro novo clube do euro.

O “El País” revela que as conversações já começaram com os países visados, incluindo com a Espanha e a Itália.

A iniciativa francesa será concretizada em setembro e as discussões para a criação do que será sem dúvida uma nova zona euro arrancarão oficialmente no outono.

Um assessor do ministério francês da Economia, Clement Beaune, disse ao diário espanhol que a proposta francesa implicará a necessidade de “mudar os tratados”.

As ideias de Paris para reformular as instituições europeias não serão certamente consensuais na União Europeia e nos 19 países que integram a zona euro. Nem em França o serão, porque os nacionalistas da Frente Nacional, de Marine le Pen, em forte ascensão nas sondagens, propõem, ao contrário, o fim do euro.

Além da França e da Alemanha, os países fundadores da antiga CEE são Itália, Bélgica, Luxemburgo e Holanda.

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