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Obama incentiva quenianos a combater a corrupção e a discriminação

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DAI KUROKAWA

Barack Obama falou perante uma plateia emocionada num estádio em Nairobi. A corrupção e a discriminação das mulheres no país foram alguns dos temas abordados pelo Presidente

Helena Bento

Jornalista


No último dia da visita oficial ao Quénia, Barack Obama falou perante uma plateia emocionada e incentivou os quenianos a combater a corrupção e a discriminação das mulheres, fortalecer a democracia e superar as divisões étnicas que geram conflitos no país.

"Em África há muitos países que sofrem deste problema [corrupção] e se tolera" porque sempre foi assim. No entanto, "há que tomar decisões difíceis", já que o "progresso exige que se enfrentem os recantos mais escuros do passado" e os problemas que têm dificultado a vida a várias gerações de quenianos, disse Obama, arrancando os aplausos das cerca de 4500 pessoas que se reuniram este domingo de manhã num estádio em Nairobi, capital do Quénia.

"Todos sabemos que o progresso não é uniforme e que existem ainda muitos problemas que os quenianos têm de enfrentar todos os dias", acrescentou.

Obama recebido de forma calorosa em Nairobi
A visita ao Quénia, a primeira enquanto Presidente dos Estados Unidos, foi preparada ao pormenor tanto pelo Governo queniano, como pelos cidadãos do país. Rererindo-se a Obama como "um dos seus", os quenianos receberam a notícia da sua visita com euforia e preparam-na de forma cuidadosa, quase "obsessiva", escreve o "New York Times".

Barack Obama foi transportado por um carro blindado e acompanhado por uma equipa de segurança. À chegada à Kenyatta University (o programa da visita oficial de dois dias previa uma visita à universidade) foi recebido por milhares de pessoas, sobretudo jovens, que saíram às ruas para acenar e tirar fotografias ao Presidente; algumas usavam t-shirts com o seu rosto estampado.

No estádio, Obama foi chamado ao palco pela sua meia-irmã queniana, Auma Obama, que gere atualmente uma fundação no país. Ao chamar a atenção para os perigos que o país deve evitar, o Presidente norte-americano apelou ao combate à discriminação das mulheres, muitas vezes tratadas como "cidadãs de segunda classe".

"Cada país e cada cultura têm tradições que são únicas e ajudam a torná-lo aquilo que ele é. Mas só porque algo faz parte do passado, não significa que esteja certo, não significa que defina o futuro", disse Obama. Negar o acesso das mulheres às "mesmas oportunidades", sujeitá-las à "violência dos maridos" e outras violações, e impedir que os seus filhos vão à escola "são tradições", mas são "más tradições" que precisam de ser "alteradas".

Barack Obama: "Estou aqui como amigo"
O Presidente norte-americano terminou com uma mensagem de esperança e solidariedade, à semelhança do que havia feito na sua primeira visita presidencial a África, em 2009. Disse que "o futuro de África depende dos africanos" mas que estes não devem procurar a "salvação" no exterior.

Obama prometeu ainda que os Estados Unidos vão ajudar o Quénia. "Estou aqui como aqui como amigo. Queremos que o Quénia seja bem-sucedido", disse.

Os quenianos, esses, ficaram convencido, relata a agência Reuters. “Foi fantástico. Foi mesmo inspirador, em especial para os jovens como nós”, disse Bramwel Rotich, estudante de 24 anos.

Barack Obama parte ainda este domingo para a Etiópia, um país que tem tido um grande crescimento económico, ao mesmo tempo que tem vindo a ser questionado internacionalmente no âmbito dos direitos humanos.

Na terça-feira, Obama pronunciará um discurso em Addis Abeba, capital da Etiópia, numa reunião da União Africana. Será o primeiro Presidente dos EUA a fazê-lo.