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Relatório condena governo de Pena Nieto na investigação dos 43 estudantes desaparecidos no México

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Familiares dos 43 estudantes desaparecidos no ano passado em Iguala, numa marcha na Cidade do México

ALEX CRUZ / EPA

Comissão independente aponta graves falhas na investigação sobre os 43 estudantes mexicanos desaparecidos em setembro do ano passado em Iguala. Chamam-lhe “prova da profundidade de barbárie ... o abandono da lei e a negligência da justiça” no México

Passam quase dez meses sobre o desaparecimento de 43 estudantes e as autoridades mexicanas ainda só identificaram os restos mortais de um dos jovens. Informações básicas sobre o caso não foram compiladas e os onze suspeitos não foram devidamente interrogados. Os dados constam de um relatório da Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH), independente, e são o mais recente golpe na administração do Presidente mexicano Enrique Pena Nieto.

As escandalosas falhas na investigação do aparente massacre têm arruinado a sua administração. O caso tornou-se o símbolo da impunidade do desaparecimento de pessoas no México.

Os 43 jovens estudantes, de classe baixa, foram sequestrados (e muito provavelmente assassinados) em Iguala, em setembro do ano passado, por membros de um gangue de droga que trabalhava com polícias corruptos no sudoeste mexicano.

O relatório da CNDH realça sérias falhas na investigação. O gabinete do procurador-geral só identificou até agora os restos mortais de um dos 43 alunos (as restantes famílias continuam à espera de conclusões sobre os seus entes queridos), informações básicas sobre o caso ainda não foram compiladas e os onze suspeitos não foram devidamente interrogados.

O desaparecimento dos estudantes na cidade de Iguala “prova a profundidade de barbárie (...), o abandono da lei e a negligência da justiça mexicana”, declarou o líder da CNDH, Luis Raul Gonzalez.

O procurador-geral diz que o gangue de droga tomou os jovens - que pertenciam a uma universidade de inclinação esquerdista radical -, por uma ameaça. Envolveram-se em confrontos e mataram-nos na mesma cidade, na noite de 26 de setembro. O Governo concluiu ainda que os seus corpos foram incinerados e deitados para um rio.

Mas segundo a CNDH, as autoridades não fizeram ainda tudo o que está ao seu alcance. A comissão denuncia ainda o uso de detenções arbitrárias e tortura para obter confissões e questiona porque é que o exército não prestou auxílio imediato se em Iguala existe um quartel.