Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Questões logísticas e FMI atrasam arranque das negociações da Grécia com a troika

  • 333

RONEN ZVULUN/ Reuters

Não há uma data definida para o arranque dos trabalhos. O FMI aguarda um pedido formal da Grécia para participar no terceiro resgate e Atenas quer salvaguardar as questões de segurança para receber a delegação da troika

Estava previsto que uma delegação da troika aterrasse esta sexta-feira em Atenas, mas os planos mudaram. Fonte do governo grego diz que o início das negociações com os credores deverá ser adiado por alguns dias. Em causa estão questões processuais e logísticas.

“Eles ainda não chegaram. Há um atraso. Não sabemos quando as discussões vão começar”, afirma uma fonte citada pelo “The Guardian”.

Outra questão que está a atrasar os trabalhos é a exigência de última hora do Fundo Monetário Internacional (FMI) em receber um pedido formal de Atenas para o organismo participar no terceiro resgate do país. “O FMI quer um pedido formal e é nisso que estamos a trabalhar”, refere uma fonte do ministério grego das Finanças.

De acordo com o jornal britânico, a troika quer ter acesso a todos os ministérios e documentação, tal como já havia feito antes do governo de Alexis Tsipras ter assumir o poder em fevereiro.

“Muita da confiança foi perdida e a grande questão agora é saber o que irão ver, que ministérios irão visitar, que ficheiros estão disponíveis para consulta da troika”, diz Anna Asimakopoulou, ministra-sombra das Finanças e deputada do partido Nova Democracia.

Depois de o governo grego ter recusado durante vários meses os procedimentos da troika - a quem preferiam chamar instituições e a que Yanis Varoufakis chegou a comparar com ações de tortura levadas a cabo pela CIA - Alexis Tsipras acabou por ter que ceder aceitando os velhos métodos, tal como foi acordado no passado dia 13 de julho.

“Isso, claro, será uma grande derrota para o governo, uma vez que as negociações tinham-se mudado para Bruxelas durante os últimos seis meses, mas é o que eles querem. São diligências a um nível mais profundo. Manter conversações num hotel não é apenas uma questão prática, observa Anna Asimakopoulou.

As preocupações ao nível da segurança estão igualmente em cima da mesa, estando ainda ser avaliado o local ideal onde os representantes da troika e do Executivo helénico vão reunir-se. O objetivo é evitar protestos e outras situações que ameacem as reuniões.

Há quem acredite que os trabalhos possam começar já na segunda-feira, embora o local dos encontros deva permanecer desconhecido por razões de segurança.

Recorde-se o Parlamento grego aprovou esta quinta-feira um novo pacote de reformas, que abrem porta às negociações com vista a um terceiro programa de assistência financeira.