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Pela primeira vez, Turquia ataca posições do Estado Islâmico na Síria

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FOTO DE ARQUIVO RETIRADA DO SITE DA FORÇA AÉREA TURCA

Em resposta aos confrontos desta quinta-feira na fronteira com a Síria, forças turcas atacaram posições do Daesh. Horas antes, Ancara comprometeu-se a deixar a coligação antiterrorista liderada pelos EUA usar uma das suas bases aéreas. Mas tudo começou realmente na segunda-feira, quando o grupo extremista matou 32 turcos em Suruç

Durante 13 minutos, aviões de combate turcos atacaram posições do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) junto à fronteira com a Síria, onde esta quinta-feira se deram os primeiros confrontos diretos entre os jiadistas e as forças turcas.

Três F-16 saíram da base de Diyarbakir, às 3h12 desta madrugada (1h12 em Lisboa) e atingiram duas bases do Daesh com mísseis guiados, entre as 3h40 e as 3h53, segundo a informação do gabinete do primeiro-ministro turco. A CNN Türk relata que os aviões nunca chegaram a sair do espaço aéreo turco.

A decisão do ataque foi tomada numa reunião de emergência dos líderes turcos, depois dos confrontos registados na fronteira com a Síria, na tarde desta quinta-feira. As Forças Armadas turcas anunciaram que cinco terroristas armados atacaram a zona fronteiriça de Kilis, mataram um oficial e feriram dois soldados. Em resposta, as forças turcas mataram um militante do Daesh e danificaram três veículos.

Horas antes do conflito na fronteira, a Turquia tinha concordado em abrir a sua base aérea de Incirlik à coligação anti-Daesh liderada pelos Estados Unidos - pedido que o Governo de Tayyip Erdoğan, Presidente turco, recusara no passado.

Recentemente, Turquia decidiu reforçar a segurança nas suas fronteiras com a Síria através de balões de vigilância e da construção de um sistema de fronteira mais elaborado (duas vedações e um fosso).

PKK Acusam Ancara de apoiar o Daesh

Os confrontos entre o Daesh e as forças de Ancara são o último sinal do alastrar da guerra civil na Síria, que já dura há cinco anos. Mais de 1,7 milhões de refugiados desta guerra encontram-se na Turquia.

No início desta semana, um homem-bomba fez-se explodir no meio de uma manifestação de estudantes curdos em Suruç, no sul do país, matando 32 pessoas. As autoridades turcas acusam o Daesh.

Já o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) censura o Governo por “fechar os olhos” às atividades do grupo extremista em território turco, acusando mesmo Erdoğan de fornecer armamento para a luta do Daesh contra o regime do Presidente sírio Bashar Al-Assad.

Depois do ataque aos estudantes, o PKK reforçou a sua posição anti-Governo e matou dois polícias turcos, naquilo que chamou uma “operação de vingança”.

Segundo a agência noticiosa turca Anadolu, a polícia turca lançou esta sexta-feira uma incursão para prender membros do Daesh e de outros grupos armados, incluindo do PKK, numa aparente tentativa de acabar com todo o tipo de violência.