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Intelectuais solidários com jornalista marroquino em greve de fome

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Ali Lmrabet, jornalista marroquino de 55 anos em greve de fome junto à sede da ONU, em Genebra

FABRICE COFFRINI

Mais de uma centena de intelectuais internacionais prestigiados assinaram uma carta aberta dirigida ao Rei Mohamed VI, pedindo que resolva a situação de Alí Lmrabet. O jornalista marroquino a quem as autoridades negam os documentos de identificação, está há um mês em greve de fome

Federico Mayor Zaragoza, ex-diretor geral da UNESCO e presidente da fundação Cultuyra de Paz é a primeira personalidade a assinar a carta que vários Intelectuais internacionais escreveram, dirigida ao Rei de Marrocos, iniciativa de apoio ao jornalista Alí Lmrabet e à liberdade de expressão.

Esta sexta-feira fará um mês que o jornalista marroquino, de 55 anos, iniciou uma greve de fome junto à sede do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra. Lmrabet pretende publicar no seu país um semanário satírico em árabe, mas as autoridades de Tetuão, cidade onde nasceu, negam-lhe a concessão dos seus documentos de identificação.

Solidários com a causa do jornalista, centenas de intelectuais assinam a carta aberta dirigida a Mohamed VI, onde acusam o seu Governo de colocar “obstáculos à liberdade de expressão”.

“Numa altura em que Marrocos apela à abertura, democratização e o pleno respeito pelos direitos humanos como instrumentos para enfrentar o futuro, recebemos a notícia da greve de fome do jornalista Ali Lmrabet”, lê-se na missiva.

“Queremos transmitir a nossa profunda preocupação com a situação do jornalista, que recebeu dezenas de prémios internacionais, e que se viu privado dos seus documentos de identificação numa altura que coincide com o final dos 10 anos de proibição de exercício da profissão de jornalista que enfrentou em Marrocos; coincidindo ainda com o seu anúncio de retomar a atividade profissional”.

Greve de fome como “última muralha” de defesa

Entre as assinaturas contam-se as de Juan Goytisolo, prémio Cervantes 2014, Elsa Gonzáles, presidente da Federação de Associações de Jornalistas de Espanha, e Bernabé López García, catedrático honorário de Estudos Árabes e colaborador do jornal espanhol “El País”.

Assinam ainda a escritora canadiana Margaret Atwood; John Maxwell Coetzee, prémio Nobel de literatura 2003; o escritor norte-americano Robert Coovert; o cineasta belga Luc Dardenne; o jornalista norte-americano Seymour M. Hersh; o escritor franco-americano Jonathan Littell, e o escritor marroquino residente em França, Abdellah Taïa.

Lmrabet acredita que a greve de fome frente à sede da ONU em Genembra é “a última muralha que resta ao cidadão para se defender contra os excessos arbitrários dos seus governos”.

Segundo alegou o embaixador marroquino em Genebra, Mohamed Auyar, no passado dia 6 de julho, a situação do bilhete de identidade de Lmrabet é um mero “processo administrativo”.

Já os intelectuais que redigiram a carta pensam de outra forma. Acreditam que a recusa dos documentos a Lmrabet coloca "obstáculos à sua liberdade de expressão", o que “prejudica consideravelmente a imagem de Marrocos e descredibiliza a sua transformação num estado de direito".

A carta pede que Mohamed VI acabe com o “assédio político a que Lmrabet está submetido (…) desde que, em 2003, foram proibidos os seus semanários satíricos 'Demain Magazine' e 'Douman'.