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Governo grego mais unido, mas divisões persistem no Syriza

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Alexis Tsipras e Euclid Tsakalatos apelaram aos deputados para votarem a favor do novo pacote de reformas

FOTO YIANNIS KOURTOGLOU/REUTERS

A aprovação do segundo pacote de reformas pelo Parlamento grego permite ao país avançar com vista ao terceiro resgate. Esta madrugada houve menos votos desfavoráveis, mas as divisões continuam no Syriza

“Hoje, sem dúvida, as divisões aprofundaram-se e a liderança tem que enfrentar isso, mas com cuidado”. O mote foi dado por Alexis Mitropoulos e parece que a sugestão do vice-presidente do Parlamento grego foi ouvida.

Esta madrugada, o governo de Alexis Tsipras respirou de alívio depois de um novo pacote de reformas ter obtido a luz verde no Parlamento, com 230 votos a favor, 63 contra e cinco abstenções.

Apesar de esperado este resultado - com os votos favoráveis da oposição -, a dúvida residia no facto de as reformas poderem contar com a oposição dentro do próprio Syriza. Ainda na semana passada, 39 deputados do partido de esquerda radical não tinham votado a favor do acordo alcançado com os credores. Mas desta vez, a divisão dentro do Syriza diminuiu: apenas 36 deputados votaram contra ou abstiveram-se. Até Yanis Varoufakis, que antes alinhara pelo “não” agora alinhou a favor da reforma do código civil e da proteção dos depósitos bancários - tendo alegado que foram duas medidas propostas por si e que as circunstâncias mudaram.

Ainda assim, além da oposição dos deputados do Partido Comunista Grego e da Aurora Dourada, registaram-se também 32 votos contra dentro do próprio Syriza.

Nem os apelos do primeiro-ministro e do ministro das Finanças, Euclid Tsakalotos, que alertaram para a necessidade de se votar a favor das medidas para o país continuar no euro, foram suficientes para convencer todo o partido.

“A partir de agora o governo vai focar todos os esforços para levar a cabo as negociações de forma a que o acordo possa ser alcançado”, declarou a porta-voz do Executivo helénico, Olga Gerovasili, citada pela AP.

O ex-ministro da Energia, Panagiotis Lafazanis, garante que apesar das diferenças que opõem membros do Syriza o partido continua unido. “Tudo correu bem. O Syriza está unido na diversidade. O partido sempre foi assim e vai continuar a ser no futuro”, sustentou.

Oposição pede mais consenso e promete colaborar

A oposição alerta porém para a necessidade de um maior consenso no governo grego, de forma a concluir com sucesso as negociações com os credores para um terceiro resgate.

“Haverá um pouco mais de tempo para o governo, no entanto, tem de haver um plano, e tem que haver uma coesão e cooperação nacional. Sem algum tipo de coesão e cooperação nacional não podemos continuar com a política partidária e o populismo e todos os tipos de luta do partido. Temos que construir um consenso”, adverte Evi Christofilopoulou, membro do Pasok (socialistas).

“Estamos todos aqui para apoiar o acordo. O que queremos é que a Grécia continue na Europa, por isso temos que fazer o melhor por este objetivo”, indica por seu turno Sophia Voultepsi, do partido Nova Democracia.

Durante a maratona de debate, Alexis Tsipras - que já admitiu não acreditar no acordo alcançado com os credores - apelou aos deputados para votarem a favor do novo conjunto de reformas, “atendendo às preocupações e as expectativas de milhares de pessoas que depositaram a sua esperança” no governo.

Euclid Tskalatos defendeu, por sua vez, que era ”muito importante” aprovar as medidas para se iniciarem de imediato as negociações com os credores.