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Bolívia. Intensificam-se as manifestações entre mineiros e polícia

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Mineiros de Potosí em confrontos com a polícia de La Paz

ABI / HANDOUT

Vários manifestantes envolveram-se em confrontos com a polícia em La Paz, depois de fracassar o diálogo entre o Governo boliviano e os líderes da greve que paralisa Potosi há já 17 dias. Em causa está a crise do setor mineiro

Os mineiros acampados em La Paz, em apoio à greve regional de Potosí, envolveram-se esta quinta-feira em confrontos com polícia local, recorrendo ao uso de dinamite em dois bairros da capital boliviana. Até ao momento há a registar vários feridos ligeiros, um número indeterminado de detidos, pequenos incêndios e alguns estragos, como janelas partidas.

Os manifestantes provocaram a desordem logo após ter fracassado o diálogo entre o Governo e os líderes do movimento que paralisa Potosí, região do sul do país que se sustenta à base de exploração de minas.

A greve dura há já 17 dias, com os seus organizadores a exigir investimentos em infraestruturas para compensar a queda do preço dos minerais. Esta quinta-feira encontraram-se com representantes do Governo de Evo Morales, Presidente da Bolívia, mas poucos minutos depois do início da reunião abandonaram o edifício. Alegam que os políticos não tinham “vontade real” de negociar.

Em protesto, os mineiros acampados provocaram várias explosões (uma das quais junto à embaixada alemã em La Paz), às quais a polícia respondeu com gás lacrimogéneo, concentrando-se os confrontos nos bairros de classe média de Sopocachi e El Prado.

A ministra da Informação, Marianela Paco, afirmou posteriormente que a resposta dos lideres de Potosí à oferta de diálogo do Governo “colocou em perigo as vidas dos ministros, jornalistas e cidadãos”.

A greve em Potosí é também sinal do descontentamento da população do sul perante o incumprimento das promessas que o Governo fez antes da crise mineira, em 2010. Um movimento regional independente reivindica a construção de um aeroporto na cidade, uma base hidroelétrica e fábricas de cimento e vidro.

Na opinião dos manifestantes, os ministros ocultam a Evo Morales o que realmente se passa em Potosí, onde todos os setores estão paralisados. Os terminais de multibanco já não têm dinheiro, os alimentos e os medicamentos começam a escassear e a população diz-se cansada.