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Ataques na Nigéria e nos Camarões matam pelo menos 50. Suspeitas recaem sobre Boko Haram

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Corpos das vítimas do ataque de Maroua, norte de Camarões, desta quarta-feira são transportados pelas autoridades

STRINGER / AFP

No total contam-se quatro atentados à bomba, dois em mercados adjacentes de Maroua, perpetrados por crianças, e dois em paragens de autocarro nigerianas. Os ataques intensificam-se depois da ameaça do Boko Haram: “Apareceremos dos locais que vocês menos esperam, mais fortes do que nunca”

Mais de 50 pessoas morreram esta quarta-feira na Nigéria e nos Camarões, em alegados ataques do grupo extremista Boko Haram. O Presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, avisou os Estados Unidos de que a sua política estava a afetar a luta contra o grupo armado.

No total foram quatro ataques: dois em Maroua, no norte dos Camarões, onde pelo menos 11 pessoas perderam a vida; e dois em Gombe, no nordeste da Nigéria, onde até ao momento se contam pelo menos 42 mortos.

Testemunhas relatam que os ataques nos Camarões – um no mercado principal de Maroua e outra na vizinha Hausa –, foram levados a cabo por duas adolescentes com menos de 15 anos. “Duas meninas que estavam a pedir esmola fizeram-se explodir” por volta das 15h (mesma hora em Portugal), confirmou fonte próxima das autoridades locais.

O gabinete do Presidente camaronês, Paul Biya, informou que 11 pessoas morreram e outras 32 ficaram feridas e qualificou os ataques como “cobardes e desprezíveis”. Biya pediu à população para estar vigilante, após aquele que foi o segundo ataque terrorista no país este mês.

No passado dia 12, duas mulheres vestidas com um véu integral do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) fizeram-se explodir em Fotokol, na fronteira com a Nigéria, matando 10 civis e um soldado do Chade. Desde então, o uso do véu integral ficou estritamente proibido.

NIGÉRIA: “ATÉ AO MOMENTO RECUPERÁMOS 12 CORPOS”

Na Nigéria, em Gombe, os locais atacados eram estações de autocarro: a de Dadin Kowa, que explodiu por volta das 19h30, e a de Dukku, 20 minutos depois. Testemunhas relatam que ouviram duas explosões em cada local. A falta de eletricidade na área fez com que fosse impossível confirmar se se tratou de explosões suicidas ou bombas deixadas no local.

“Até ao momento recuperámos 12 corpos”, disse um socorrista no local do primeiro ataque. “Os corpos estão muito mutilados e há muitas pessoas feridas”, acrescentou. As autoridades nigerianas confirmaram a primeira explosão, mas não deram um número de vítimas oficial. O porta-voz da polícia de Gombe, Fwaje Attajiri, disse que ainda não tinha detalhes sobre o ataque em Dukku.

“Houve duas explosões que se deram depois de eu ter fechado a loja”, garantiu o dono de um estabelecimento comercial junto à estação de autocarros. “Eu e os meus colegas que estavam por perto voltámos e começamos a tirar os corpos. Contei cerca de 30. Depois comecei a sentir-me mal e fui-me embora”, contou o mesmo homem. Já na última quinta-feira, dia 16 de julho, 49 pessoas morreram num ataque semelhante no mercado de Gombe.

NOVA FORÇA PARA COMBATER O DAESH

Os ataques intensificaram-se depois de o Boko Haram ter divulgado um novo vídeo no Twitter, no qual o grupo terrorista garantia que continuava forte. “Apareceremos dos locais que vocês menos esperam, mais fortes do que nunca”, ouve-se no vídeo.

Para combater os aliados do autoproclamado Daesh – cuja insurgência de seis anos já tirou a vida a pelo menos 15 mil pessoas –, uma nova força deverá ser formada no próximo dia 30 de julho, constituída por cinco nações: Nigéria, Níger, Chade, Camarões e Benim.