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Internacional

Presidenciais no Burundi. Nkurunziza deve ser reeleito

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PAULO NUNES DOS SANTOS

As mesas de voto para as eleições presidenciais no Burundi fecharam esta quarta-feira e a contagem dos votos deverá prolongar-se madrugada dentro. Os protestos violentos no dia das eleições resultaram em dois mortos

Os resultados das eleições presidenciais no Burundi deverão ser anunciados esta quinta-feira, mas a maioria das previsões dá a vitória ao atual Presidente, Pierre Nkurunziza.

Na terça-feira, antes da abertura das urnas, morreram duas pessoas, entre as quais um polícia, na sequência de uma série de explosões e de um tiroteio em Bujumbura, capital do país, que tem sido o epicentro de muitos dos protestos contra o Governo.
Mas houve também incidentes fora da capital. Segundo a Al Jazeera, um membro da oposição foi morto durante a noite.
Durante o ato eleitoral, com medo de sofrerem represálias, os apoiantes de Nkurunziza limparam a tinta do dedo - que indicava em quem tinham votado - assim que saíram das assembleias de voto.
Este é um dos períodos eleitorais mais problemáticos no Burundi, não sendo por acaso que “existiu nestas eleições uma enorme pressão de várias organizações mundiais, como a ONU e a União Africana, para que o Presidente do Burundi não se candidatasse a um terceiro mandato”, como frisou a Al Jazeera.

De facto, ao ir novamente a eleições, o Presidente do Burundi viola a Constituição do país (que só permite que um Presidente se recandidate uma vez) e o acordo de Arusha, que pôs fim a 13 anos de guerra civil (entre 1993 e 2006), que causou 300 mil mortos. Nkurunziza ignorou os apelos, afirmando que não tinha medo e que iria recandidatar-se.

A imprensa internacional tem demonstrado preocupação com o clima de instabilidade que se vive no Burundi. Recentemente, houve uma tentativa de golpe de estado fracassada por parte de alguns militares, e vários meios de comunicação temem que, caso se verifique nova tentativa violenta de retirar Nkurunziza do poder, a situação possa resultar numa guerra civil.

Desde que começaram os protestos, em abril, já morreram mais de 100 pessoas e 150 mil deixaram o país.