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Jornalistas espanhóis desaparecidos na Síria

Três repórteres espanhóis estão desaparecidos na Síria há dez dias. Foram vistos pela última vez em Alepo, numa zona controlada pela filial local da Al-Qaeda. O Governo de Madrid já está "a trabalhar no assunto"

Margarida Mota

Jornalista

Três jornalistas espanhóis estão desaparecidos na Síria desde 12 de julho. O Ministério dos Negócios Estrangeiros está "ao corrente da situação" e "a trabalhar no assunto", garantem fontes do Governo de Madrid citadas pelo diário "El Mundo".

O jornalista Antonio Pampliega, o operador de câmara Ángel Sastre e o fotógrafo José Manuel López foram vistos pela última vez na parte antiga da cidade de Alepo, no norte do país, no passado dia 11. Citado pela agência Efe, o diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, Rami Abderrahman, disse que testemunhas viram os repórteres dentro de uma furgoneta branca, juntamente com o seu tradutor sírio.

Segundo Abderrahman, o veículo foi intercetado por um grupo armado desconhecido que usava roupas "ao estilo afegão".

Quatro anos após o início da guerra na Síria, Alepo - a segunda maior cidade - é disputada por forças leais ao Governo de Bashar al-Assad e pela Frente al-Nusra, a filial local da Al-Qaeda. Pensa-se que os jornalistas desaparecidos se encontravam numa área controlada pela Frente al-Nusra.

Todos "freelance" (trabalhadores por conta própria) e com experiência noutros grande conflitos, os três cobriam o conflito sírio desde 2011.

Não é a primeira vez que jornalistas espanhóis desaparecem na Síria. Em setembro de 2013, foram sequestrados Marc Marginedas, do jornal "El Periódico de Catalunya", em Hama, e ainda o repórter de "El Mundo" Javier Espinosa e o fotógrafo freelance Ricardo Garcia Vilanova, na província de Raqqa, o coração do autodenominado Estado Islâmico (Daesh).

A libertação destes reféns, cerca de seis meses após o rapto, indicia que as autoridades espanholas terão pago os resgates exigidos pelos terroristas, uma prática contrária à adotada nomeadamente pelos Governos dos Estados Unidos e Reino Unido que se recusam a pagar a terroristas e já viram nacionais seus serem degolados pelo Daesh.