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“Huffington Post” vai cobrir a campanha de Trump na secção de entretenimento. “Não mordemos o isco”

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NANCY WIECHEC / Reuters

O site informativo decidiu que a corrida do multimilionário à Casa Branca é um “espetáculo à parte”, pelo que não será tratada como matéria política. Uma decisão polémica, à imagem do próprio candidato

E se para saber as propostas e seguir a campanha de um candidato à presidência da República tivesse de ler a secção de entretenimento de um jornal? A “arrumação” pode parecer estranha, mas isso mesmo terão de fazer os leitores do “The Huffington Post” se fizerem questão de acompanhar a corrida à Casa Branca do multimilionário Donald Trump.

Numa decisão sem precedentes, o site informativo entendeu que o candidato Trump é um “espetáculo à parte” e, em função disso, não lhe reserva espaço nas notícias sobre política. A nota onde o “The Huffington Post” o anunciou, no dia 17, justifica a opção: “Não mordemos o isco. Se está interessado naquilo que ‘o Donald’ tem para dizer, encontrará o que procura ao lado das nossas histórias sobre as Kardashian”.

Assim mesmo, curta e muito direta, a nota compara o polémico pré-candidato republicano às celebridades cor-de-rosa de um famoso “reality show”. E há quem não tenha perdido tempo a aplaudir a tomada de posição.

Jay Rosen, reconhecido crítico norte-americano e professor de jornalismo, foi um dos primeiros a concordar, considerando “brilhante” a decisão do “The Huffington Post” e comparando o bilionário a um “acidente de carro”, no sentido em que apenas chama a atenção porque todos “querem ver”. Ou seja, mesmo que da sua candidatura resultem consequências políticas, defende Rosen, Donald Trump não pode realmente ser tratado como os restantes candidatos.

Não é uma posição consensual. Para James Warren, o principal crítico do Instituto Poynter para Estudos de Media, a decisão de incluir Trump como tema de entretenimento é um erro. E recorda os casos de Ronald Reagan e Arnold Schwarzenegger, atores profissionais, que “também poderiam ter sido jornalisticamente segregados por não serem aprovados em algum reste arbitrário de seriedade e legitimidade”.

Certo é que coberturas mediáticas da campanha e “gaffes” à parte, Donald Trump soma e segue. Uma sondagem revelada na segunda-feira colocava-o a liderar a corrida à nomeação republicana para a Casa Branca. A menos que os ataques de domingo ao antigo candidato republicano John McCain, veterano de guerra cujo valor Trump contestou - “um herói de guerra, por ter sido capturado?”, questionou - e a mais recente polémica por ter revelado publicamente o número de telefone de um outro candidato republicano, Lindsay Graham, o façam (desta vez) resvalar aos olhos dos futuros inquiridos.