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Há quatro anos Breivik matou 77 pessoas. Hoje vai tirar um curso de Ciência Política

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Anders Breivik, norueguês de 36 anos que em 2011 matou 77 pessoas

AFP / GETTY IMAGES

Há quatro anos, o norueguês Anders Breivik matou 77 pessoas, num atentado em Oslo e numa chacina a tiro na ilha de Utøya. Em memória das vítimas, é inaugurado na ilha um memorial e, em Oslo, um museu que alguns temem que se torne numa "sala de troféus" do assassino

Anders Breivik, o norueguês que há precisamente quatro anos matou 77 pessoas - oito num atentado à bomba no centro governamental de Oslo e 69 na ilha de Utøya -, vai tirar um curso superior de Ciência Política. A decisão da faculdade em aceitar o criminoso está a revoltar os noruegueses, mas, segundo Marina Tøfting, porta-voz da instituição, nada contra pode ser feito: "Breivik conseguiu uma vaga. Ele preenche os critérios de seleção".

Segundo a lei norueguesa, a universidade não pode recusar a candidatura de Breivik. O jornal "The Local" escreve que os prisioneiros têm direito a frequentar o ensino superior, desde que preencham os requisitos académicos. No entanto, o homicida de extrema-direita não conseguirá obter o diploma, visto que cinco dos nove módulos obrigatórios para acabar o curso requerem presença em seminários de grupo.

Breivik estudará dentro da cela e sem qualquer apoio digital. "A comunicação entre a universidade e Breivik será efetuada na prisão através de uma pessoa que fará o contacto", esclareceu Petter Ottersen, reitor da instituição.

Alguns estudantes que frequentam o curso onde Breivik se inscreveu são sobreviventes do ataque de Utøya. Outros são familiares das vítimas, a maioria crianças e adolescentes.

Flores em honra das vítimas do massacre na ilha de Utøya, a cerca de 35km de Oslo

Flores em honra das vítimas do massacre na ilha de Utøya, a cerca de 35km de Oslo

TORE MEEK / SCANPIX NORWAY / REUTERS

LEALDADE AO SISTEMA

"Sei que aqui estão envolvidos muitos sentimentos. Breivik tentou acabar com o sistema, mas nós temos de nos manter fiéis a ele", acrescentou o reitor.

O curso em questão inclui estudos de democracia, direitos humanos e respeito pelas minorias, três áreas desrespeitadas pelo extremista a 22 de julho de 2011.

Antes de se dirigir para Utøya, Breivik fez explodir um carro bomba entre os edifícios governamentais no centro de Oslo, matando oito pessoas.

Poucas horas depois, fardou-se de polícia, agarrou numa arma e um crachá de identificação falso e dirigiu-se ao acampamento onde estavam mais de 500 jovens da Arbeidernes Ungdomsfylking (uma organização juvenil ligada ao Partido Trabalhista Norueguês). Disse que queria ajudar. Mas assim que entrou no recinto, começou a disparar indiscriminadamente, em nome da luta contra o multiculturalismo e a "invasão muçulmana" da Noruega. Este foi o ataque mais sangrento no país, desde a Segunda Guerra Mundial.

Atualmente, Breivik tem 36 anos.Para conseguir realizar o massacre, criou uma empresa agrícola, o que lhe permitiu adquirir grandes quantidades de fertilizante para criar a bomba, e juntou-se a um clube de tiro para conseguir obter uma licença de caçador e uma arma de forma legal.

Foi julgado e condenado por terrorismo em 2012. O júri considerou-o perfeitamente são e consciente das suas ações, sentenciado-o a 21 anos de prisão. Cumprida a pena, Breivik poderá ser condenado a sucessivos períodos de cinco anos de prisão se continuar a ser considerado uma ameaça.

Restos do carro bomba utilizado por Anders Breivik no centro governamental de Oslo há quatro anos, onde morreram oito pessoas

Restos do carro bomba utilizado por Anders Breivik no centro governamental de Oslo há quatro anos, onde morreram oito pessoas

FREDRIL VARFJELL / EPA

“CENTRO 22 DE JULHO”

Esta quarta-feira, e pelo quarto ano consecutivo, milhares de pessoas juntam-se para honrar a memória das vítimas. Mas desta vez de uma forma diferente: na ilha construíram-se novas instalações e um memorial com os nomes das vítimas e, na capital, é inaugurado um museu com o crachá falso, fotografias e restos do carro bomba usado por Breivik. O museu chama-se "Centro 22 de julho" e já originou uma onda de revolta - os familiares das vítimas temem que a exposição torne-se numa "sala de troféus" de Breivik.

Este é também o primeiro ano em que os jovens trabalhistas voltam a acampar em Utøya, o que acontecerá entre 6 e 9 de agosto, com o intuito de debaterem a temática de solidariedade internacional.