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Excesso de violência ou heroísmo? Intervenção de mulher polícia no Egito causa polémica

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A atuação de uma agente, ao separar uma discussão entre marido e mulher durante as celebrações do fim do Ramadão, está a dividir opiniões. Em causa está uma aparente situação de assédio sexual

No Cairo, Egito, uma intervenção polícial está a causar polémica pela forma como um homem foi detido. O menos comum na história é a figura da autoridade ser uma mulher. O vídeo que mostra a atuação da agente correu o mundo, havendo quem a defenda e quem a acuse de excesso de violência.

As imagens mostram Neshawi Mahmood a agarrar um homem pela t-shirt, afastando-o da multidão que celebrava o fim do Ramadão, no passado domingo. Já no átrio de um cinema, a mulher polícia dá um estalo ao detido e recorre a uma arma de choques elétricos.

As razões para a detenção não ficam claras no vídeo. No entanto, segundo a “BBC”, antes de a polícia intervir, o homem discutia com a sua mulher e era suspeito de assédio sexual.

Resultado: Se, por um lado, Neshawi Mahmood é uma espécie de heroína, sendo a sua atitude aplaudida pela força demonstrada no combate à violência contra as mulheres, por outro, há quem se indigne com a agressividade da polícia ao agredir o detido, sem aparentemente este oferecer qualquer resistência.

Nas épocas festivas regista-se um aumento nos casos de assédio sexual no Egito. Só nos dois primeiros dias de Eid - a festa que marca o final do Ramadão - foram detidas 86 pessoas, avança o porta-voz de combate à violência nas mulheres daquele país, citado pela “BBC”.

Nove em cada dez mulheres egípcias já passaram por algum tipo de assédio sexual. A estimativa é apresentada num relatório das Nações Unidas, publicado em 2013, que classificou a situação como "endêmica".