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Após seis anos a falsificar as contas, presidente da Toshiba demite-se

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O presidente da Toshiba à chegada da conferência onde anunciará a sua demissão

TORU HANAI/REUTERS

Hisao Tanaka deixou o cargo esta manhã, logo que se soube que inflacionou os lucros da empresa nos últimos seis anos. O seu vice-presidente também foi levado na onda

O presidente e diretor-executivo da Toshiba demitiu-se esta terça-feira, depois de uma investigação independente ter descoberto que Hisao Tanaka falsificou as contas e inflacionou os lucros da companhia em 1125 milhões de euros, o triplo do inicialmente estimado. O vice-presidente Norio Sasaki também tinha conhecimento da situação e, tal como Tanaka, abandonou a empresa.

Uma investigação independente concluiu que a administração falsificou os lucros nos últimos seis anos. Situação que irá obrigar a Toshiba a rever as contas dos exercícios anteriores. Segundo os investigadores, os lucros do grupo japonês começaram a ser inflacionados, mais ou menos, ao mesmo tempo que eclodiu a crise financeira. A partir dessa altura, a empresa terá começado a estabelecer metas de gestão inalcançáveis, o que levou a que os gestores com mais anos de casa começassem a falsificar as contas.

Na investigação revela-se que a Toshiba tem uma política de gestão hierarquizada, em que “cada funcionário não pode ir contra os desejos dos seus superiores”. Esta política levava os empregados que tinham de cumprir determinados objetivos a desenvolverem “práticas contabilísticas irregulares para atingir as metas de acordo com os desejos dos seus superiores”.

O ministro das Finanças japonês Taro Aso já se manifestou sobre o escândalo, lamentando que “se o paíso falhar a adoção de uma governação empresarial apropriada poderá perder a confiança dos mercados.”

Apesar dos despedimentos, ainda não foram apresentadas quaisquer queixas contra os gestores de topo da Toshiba. No entanto a companhia será penalizada, num valor que pode atingir os 2,9 milhões de euros.

O até hoje presidente da empresa será substituído no cargo por Masaschi Muromachi.

O Japão está empenhado em demonstrar melhorias nas suas normas de governação empresarial, depois do escândalo que afetou a Olympus em 2011. Na altura, foi tornado público que o grupo ótico, outras das maiores empresas do país, escondeu durante 13 anos prejuízos estimados em 1600 milhões de euros.

Na verdade, este não foi primeiro escândalo contabilístico nipónico, muito pelo contrário. O historial é bastante ‘rico’ e segundo revela a agência noticiosa financeira Bloomberg, desde 1997 esta é a oitava grande falsificação de contas no meio empresarial do Japão.