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Pais britânicos podem cancelar passaporte dos filhos para evitar que se juntem ao Estado Islâmico

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A medida faz parte de um plano de cinco anos de combate ao terrorismo. Segundo dados das autoridades do Reino Unido, pelo menos 700 britânicos já viajaram para a Síria

Já mais do que uma vez que lemos ou ouvimos histórias de jovens britânicos que estão a tentar chegar à Síria para se juntar ao autodenominado Estado Islâmico (Daesh). Muitos deles conseguem. David Cameron, primeiro-ministro, quer travar esta tendência. Esta segunda-feira, numa escola em Birmingham, o líder do Governo britânico anunciou que os pais vão ter poder para cancelar o passaporte dos filhos, caso suspeitem que estes estão a planear juntar-se ao grupo extremista.

Este direito será dado aos pais de jovens com menos de 16 anos. O objetivo é prevenir que mais pessoas viagem para zonas de guerra. Segundo a polícia britânica, citada pelo jornal “The Guardian”, pelo menos 700 ingleses já viajaram para a Síria. Metade deles regressou a casa e são agora considerados uma ameaça terrorista.

O Reino Unido é conhecido pela sociedade diversificada, mas para Cameron atualmente estão a “ser confrontados com a trágica verdade de que as pessoas que nascem e são criadas neste país não se identificam realmente com o Reino Unido e sentem-se pouco ou nada apegadas às pessoas de cá”.

Este é ponto fulcral: a falta de integração. “Quando grupos como o Daesh procuram recrutar jovens para a sua causa venenosa, podem oferecer-lhes um sentimento de pertença que lhes pode faltar aqui em casa. O extremismo islâmico é uma ideologia radical, até excitante e fascinante, que está a ganhar terreno devido às falhas na integração”, afirmou David Cameron, citado pelo “The Guardian".

Nem se sentem britânicos nem muçulmanos

Para o primeiro-ministro inglês, os jovens muçulmanos que vivem no Reino Unido têm problemas de identidade pois "nem se sentem parte da maioria britânica nem parte da cultura dos pais".

Esta medida do controlo dos passaportes dos jovens com menos de 16 anos é apenas uma no plano estratégico de cinco anos para o combate ao terrorismo. Outras medidas passam pela criação de uma nova legislação para salvaguardar a exposição de crianças à radicalização em locais de educação não formais, como as escolas suplementares e os centros de tutoria. Cameron defende também que o acesso aos canais de televisão estrangeiros e a websites que transmitem "discursos de ódio" e conteúdos extremistas tem de ser regulamentado.

Uma das ideias que está a causar mais burburinho é a criação de uma legislação para pessoas e grupos que exponham e divulguem pontos de vista extremistas - há vozes a dizer que se trata de violação da liberdade de expressão.

Entretanto, a ministra do Interior do Reino Unido, Theresa May, citada pela BBC, já veio a público esclarecer: “Reconhecemos que a liberdade de expressão é um dos nossos maiores valores, mas o que estamos a defender é que temos de olhar para o impacto que algumas pessoas têm, em termos de uma ideologia tóxica que estão a tentar inculcar na cabeça de outras pessoas".

O plano estratégico deve ser colocado em prática no outono.