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Merkel diz que Schäuble nunca lhe falou de demissão

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FOTO WOLFGANG KUMM/EPA

Angela Merkel garante que o ministro das Finanças nunca lhe falou na possibilidade de deixar o cargo. Sobre a dívida grega, a chanceler já admite rever as condições de pagamento

A chanceler alemã garantiu este domingo que Wolfang Schäuble nunca lhe falou em demissão, depois do titular da pasta das Finanças ter admitido deixar o cargo na sequência de divergências relativamente à Grécia.

“A mim ninguém me falou de demissão. Não houve qualquer pedido nesse sentido”, afirmou Angela Merkel, em entrevista à televisão ARD.

A governante germânica admitiu que houve hesitação nas negociações sobre a hipótese da Grécia sair da zona euro: “A opção Grexit chegou a estar em cima da mesa, mas decidimos deixá-la cair para uma opção viável”, explicou.

Relativamente à dívida grega, Angela Merkel voltou a frisar que um “perdão clássico” está fora de questão - porque as regras da zona euro não permitem essa possibilidade -, mas reconheceu a possibilidade de se reverem as condições de pagamento.

"Um perdão clássico da dívida não é possível na união monetária, Mas o alívio da dívida sob a forma de prazos mais longos dos empréstimos e taxas de juros mais baixas é negociável”, disse a chanceler, ressalvando que para isso será necesário uma avaliação o positiva ao terceiro programa de resgate.

No sábado, Wolfang Schäuble admitiu em entrevista ao jornal “Der Spiegel” a possibilidade de demitir-se do cargo de ministro das Finanças, por ter uma opinião diferente da chanceler quanto á Grécia

“Faz parte da democracia ter, de vez em quando, opiniões diferentes. Cada um tem o seu papel. Angela Merkel é chanceler, eu sou ministro das Finanças. Os políticos têm a responsabilidade do seu cargo. Nada os pode forçar. Se alguém tentasse isso, eu poderia pensar em pedir a demissão”, declarou Schäuble ao semanário germânico.

O ministro alemão das Finanças reiterou esta semana que um “Grexit temporári”o seria a solução mais benéfica, tendo Merkel fez questão de mostrar a sua discórdia, durante o discurso no Bundestag, - que antecedeu a votação sobreo início das negociações para um terceiro resgate da Grécia - assegurando que esse cenário iria resultar num “caos previsível.”