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Afinal a ideia foi ou não de Passos? Para Tusk, foi do primeiro-ministro holandês

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Evert-Jan Daniels / AFP / Getty Images

Em entrevista a vários jornais europeus, o presidente do Conselho Europeu diz que a ideia que desbloqueou o acordo entre Grécia e credores partiu de um SMS de Mark Rutte. E nunca referiu o nome de Passos

Para o presidente do Conselho Europeu, a ideia de usar o fundo de privatizações para recapitalizar a banca grega foi do primeiro-ministro holandês Mark Rutte. Na segunda-feira, em conferência de imprensa, o primeiro-ministro português afirmou que esta fôra uma ideia sua, que ajudou a desbloquear o acordo entre os credores e o governo de Tsipras.

Mas Donald Tusk conta uma história diferente. Em entrevista a vários jornais europeus ("Financial Times", "Le Monde", entre outros), especificou os momentos críticos que antecederam o acordo. Sem nunca referir o nome de Passos Coelho, Tusk garante que foi o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, que teve a ideia que permitiu chegar a um consenso. "O primeiro sinal de que poderíamos conseguir um acordo foi um SMS do primeiro-ministro Rutte. Quando apresentei a sua proposta de usar 12,5 mil milhões do fundo para pagar a dívida e outros 12,5 para investimentos ninguém pareceu particularmente impressionado, mas a partir daí a ideia estava em cima da mesa", pode ler-se na versão inglesa do jornal grego Kathimerini, um dos jornais que realizou a entrevista.

Durante essa entrevista, não houve qualquer referência ao nome do primeiro-ministro português, que defendeu que Portugal teve um papel importante para ajudar a desbloquear o acordo e que a solução teria partido de uma ideia por ele sugerida. Em conferência de imprensa, esta semana, Passos disse: "Até tivemos, por acaso, uma intervenção que ajudou a desbloquear o problema". Uma afirmação que não passaria despercebida nas redes sociais, originando a hashtag #PorAcasoFoiIdeiaMinha.

Será que, afinal, a ideia não foi de Passos? A dúvida permanece. Tusk não fala de Passos, mas o editor de assuntos europeus do jornal "Guardian", Ian Traynor, avançou na semana passada com uma possível explicação, ao publicar na sua conta pessoal do Twitter: "#Grécia. Um SMS de [Mark] Rutte com aritmética portuguesa é responsável pela fórmula final face ao respetivo fundo. Ouvido em Bruxelas".

A mensagem de Traynor, no entanto, foi publicada um dia depois das declarações de Pedro Passos Coelho.

O Expresso apenas apurou (e este sábado noticiou), que Portugal não terá tido uma importância relevante no decurso das negociações entre a Grécia e os credores, mas tê-la-á facilitado, juntamente com Espanha e Irlanda. Segundo as orientações de Angela Merkel e dos Estados Unidos, os três países deveriam deixar claro que queriam a permanência da Grécia no euro.