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Um ano depois, vídeo mostra pilhagem nos destroços do avião do voo MH17

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Investigadores holandeses, que lideram uma equipa internacional, ainda não terminaram as investigações

Odd Andersen /AFP / Getty Images

O vídeo divulgado esta sexta-feira pela "News Corp Australia" mostra alegados separatistas pró-russos a vasculharem os destroços do Boeing malaio do voo MH17, que há um ano foi abatido no leste da Ucrânia

“Venham, venham!”, ouve-se um deles dizer, em russo. A câmara vai-se movendo atrás de um homem, vestido com um uniforme de combate. Aproxima-se de uma mochila e este, sem hesitar um segundo, revista-a apressadamente, revira-a, como se estivesse à procura de algo que é seu. Dela, tira vários pertences que não lhe pertencem: um telemóvel, cartões de identificação, roupas... “Tira isso daí [da mochila]." "São roupas”, alguém responde.

Mas é preciso afastarmo-nos desse homem para percebermos onde estamos. Olhamos e à nossa volta vemos destroços de um avião que se amontoam num terreno de relva selvagem, pontuado por zonas de fumo, incendiadas (pelo menos é isto que a câmara de vídeo nos deixa ver). E ouvir: alguém dá uma ordem para afastar os civis do local, ao longe ouvem-se outras vozes - “civis, civis”. Um telefone toca e alguém o atende bem perto da câmara: “Sim, estou aqui. Avião foi abatido e estou no local. F****, era um avião de passageiros, f****.”

Nessas mesmas filmagens, tornadas públicas esta sexta-feira, pequenas revelações vão sendo feitas pelas personagens que nelas intervêm. O coração do avião é encontrado: “Caixa negra, caixa negra!” E, depois disso, mais uma constatação: “Malásia. Estrangeiros. Quem lhes deu o direito de atravessar esta área?”

Uma “atrocidade”

As cenas acima descritas, e que podem ser vistas num vídeo divulgado esta sexta-feira pela “News Corp Australia”, terão ocorrido há um ano. Foi a 17 de julho de 2014 que o mundo tremeu outra vez com a notícia de um novo problema associado a um avião da Malaysia Airlines: desta vez o Boeing 777 não desaparecera, fora abatido quando sobrevoava o leste ucraniano, palco de confrontos entre tropas ucranianas e separatistas, e percorria a rota Amsterdão - Kuala Lumpur.

Estas filmagens, que foram enviadas a uma equipa internacional para se comprovar a sua autenticidade, reforçam ideia preliminar dos investigadores (divulgada esta semana), que consideram que os dados existentes apontam para uma responsabilidade dos rebeldes pró-russos no abate do aparelho, atingindo-o com um míssil (o relatório final, no entanto, será apenas divulgado em outubro). Todas as 298 pessoas que iam a bordo do Boeing 777 morreriam nesse dia e ainda não se chegou a uma conclusão final que permitisse apurar responsabilidades.

As cenas do vídeo provocaram uma reação de choque por parte de alguns líderes políticos. O primeiro-ministro australiano, Tony Abbot, apelidou os acontecimentos do vídeo de uma “atrocidade” e a ministra dos Negócios Estrangeiros do país, Julie Bishop, disse que ficou “maldisposta de o ver”. E acrescentou ainda: “Não consegui verificar a autenticidade do vídeo, mas é certamente consistente com tudo o que nos disseram, o aviso que recebemos há 12 meses, de que o avião do voo MH17 tinha sido abatidos por um míssil no leste da Ucrânia e que os separatistas pró-russos estavam envolvidos.”

Também a Rússia reagiu, alertando para o facto da investigação ainda não ter terminado. O chanceler russo Sergei Lavrov afirmou, em conferência de imprensa, que o acidente do Boeing malaio é resultado de uma infração penal, não uma ameaça à paz e segurança internacionais. “É uma infração penal que, à proposito, é investigada por holandeses e outros participantes principais deste grupo internacional como uma infração penal”.

  • Rebeldes pró-Rússia responsabilizados pelo abate do MH17 na Ucrânia

    Dois dias antes de se completar um ano sobre a queda do avião do voo MH17 da Malaysia Airlines no leste da Ucrânia, que causou a morte de 298 pessoas, a CNN divulga em primeira mão dados sobre a investigação em curso. Entretanto, a Rússia considera a proposta de um julgamento internacional “inoportuna” e “contraproducente