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Obama apela ao Congresso para apoiar acordo nuclear com o Irão

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Barack Obama deu uma conferência de imprensa na quarta-feira na Casa Branca sobre o acordo nuclear com o Irão, alcançado em Viena

JOSHUA ROBERTS/REUTERS

O Presidente norte-americano defende que o acordo representa “uma poderosa manifestação de liderança e diplomacia” de Washington e que os analistas coincidem no entendimento de que o acordo impede o Irão de desenvolver uma arma nuclear

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apelou ao Congresso para que valide o acordo nuclear com o Irão, alcançado na terça-feira. Numa conferência de imprensa na quarta-feira, na Casa Branca, Obama disse que o acordo assegura o objetivo de impedir que o Irão tenha uma bomba nuclear.

“Posso dizer com certeza que o Irão não estará na posição de desenvolver uma bomba”, afirmou Obama. “Baseado nos factos, a maioria do Congresso deveria aprovar o acordo.” O Presidente salientou ainda que os analistas também coincidem no entendimento de que o acordo impede o Irão de desenvolver uma arma nuclear.

Para Obama, o acordo representa “uma poderosa manifestação de liderança e diplomacia” de Washington. Na ausência desse acordo, acrescentou, as sanções económicas internacionais que trouxeram o Irão à mesa das negociações vão desfazer-se e a comunidade internacional será incapaz de impor novamente um regime de sanções.

“Sem o acordo, arriscamos ainda mais guerra no Médio Oriente, e outros países do Médio Oriente sentir-se-iam compelidos a desenvolver as suas próprias armas nucleares”, afirmou Obama, citado pela Al-Jazeera. Esse desencadear de acontecimentos traria o risco de uma corrida ao armamento “na região mais perigosa do mundo”.

Obama acrescentou que o acordo nuclear concluído com Teerão não acaba com os diferendos entre norte-americanos e iranianos, devido em particular às suas atividades no Médio Oriente e ao seu apoio ao Hezbollah.

"Mesmo com este acordo, continuamos a ter profundas divergências com o Irão", declarou Obama, que acrescentou que "o Irão continua a representar um desafio para os interesses e valores" dos EUA.

O Presidente detalhou que o objetivo principal do acordo nuclear, alcançado em Viena, não era o de resolver os vários diferendos com a República Islâmica, entre os quais o do seu alegado "apoio ao terrorismo" e os seus "esforços de desestabilização" no Médio Oriente.

Ainda na quarta-feira, segundo a Casa Branca, Obama ligou ao Presidente russo, Vladimir Putin. As relações bilaterais entre norte-americanos e russos têm estado tensas, e particularmente agravadas pela crise na Ucrânia, mas a Federação Russa integra o grupo de Estados que negociou o acordo com o Irão.

“O Presidente agradeceu a Putin pelo importante papel da Rússia para alcançar este marco, que é o culminar de cerca de 20 meses de negociações intensas”, segundo o comunicado da Casa Branca sobre o telefonema de Obama a Putin.