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O 3º resgate: violência, lamentos, capitulações e “genocídio social”

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Os rostos de um problema: Tsakalotos diz que nunca mais vai esquecer isto, Tsipras confessou que não acredita neste acordo. Mas ambos sublinham que era isto ou pior

ORESTIS PANAGIOTOU / EPA

Tsipras afirmou que só estavam em cima da mesa três opções: um acordo em que não acreditava, o incumprimento ou a “escolha de Schäuble e a saída do euro”. O Parlamento grego escolheu a primeira opção: o princípio de acordo com os credores está aprovado, o terceiro resgate está a chegar. E pelo primeira vez durante o governo Syriza, houve uma greve - e violência nas ruas. “Traidores, traidores“, gritou-se à porta do Parlamento

O Parlamento grego aprovou por larga maioria na madrugada desta quinta-feira o acordo alcançado com os credores, que impõe ao país novas e ainda mais duras medidas de austeridade, como o aumento de impostos e cortes nas pensões.

A votação, que só foi concluída perto das 02h00 da madrugada em Atenas (meia-noite em Lisboa), terminou com 229 votos a favor, 64 contra e seis abstenções. Metade dos votos contra pertenceram a deputados do Syriza, entre os quais o ex-ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, que deixou o cargo na semana passada.

No Parlamento, Varoufakis fez questão de sublinhar que o acordo "não é sustentável" e representa um "tratado de capitulação do país", críticas muito violentas que foram partilhadas pela presidente do Parlamento e também deputada do Syriza, Zoe Constantopoulos. A responsável máxima da Assembleia considerou que os termos deste terceiro resgate à Grécia implicam um "genocídio social" e disse que este ficará para a história como "um dia muito negro para a democracia".

"É um genocídio social", disse a presidente do Parlamento grego

"É um genocídio social", disse a presidente do Parlamento grego

ORESTIS PANAGIOTOU / EPA

O primeiro-ministro Alexis Tsipras esteve ausente do Parlamento durante grande parte do debate. Passavam quase 50 minutos da meia-noite em Atenas quando o chefe do Governo apareceu. Numa intervenção que terminou com uma forte ovação, Tsipras afirmou que só estavam em cima da mesa três opções: um acordo em que não acreditava, o incumprimento ou a "escolha de Schäuble e a saída do euro".

"Enfrentámos uma luta injusta contra as potências financeiras. Deixámos uma herança de dignidade e democracia na Europa", afirmou o primeiro-ministro, assegurando que não irá fugir às suas responsabilidades e demitir-se.

Antes falara o novo ministro das Finanças, Euclid Tsakalotos, que confessou que segunda-feira foi "o dia mais difícil" da sua vida e que a decisão de aceitar o acordo vai pesar-lhe para sempre. "Mas não tínhamos alternativa", justificou.

Sucessor de Varoufakis não se orgulha do acordo

Sucessor de Varoufakis não se orgulha do acordo

ALKIS KONSTANTINIDIS / Reuters

O início do debate, já depois das 21h00 em Atenas, ficou marcado por confrontos violentos junto ao Parlamento, com um grupo de anarquistas de cara tapada a lançar petardos e cocktails molotov à polícia, que respondeu com gás lacrimogéneo.

Depois de algumas detenções, a situação acalmou e os protestos continuaram de forma pacífica. No final da votação, quando foi conhecido o resultado, milhares gritaram "traidores, traidores" à porta do Parlamento.

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