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Dia da França teve fogo de artifício deslumbrante mas também 700 carros incendiados e 600 pessoas detidas

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Enquanto Paris se deslumbrava com um dos mais fantásticos fogos de artifício de sempre na Torre Eiffel, as forças da ordem não tiveram descanso nas periferias da capital e de outras cidades francesas, onde houve cenas de guerrilha urbana e confrontos graves

PASCAL ROSSIGNOL / Reuters

Governo francês anuncia ter evitado novos atentados. Mas tolerância zero não impediu violência durante as festividades do 14 de julho: 721 carros incendiados e 603 pessoas detidas em pouco mais de 24 horas em todo o país

O anúncio oficial, esta quarta-feira, de que foram presos quatro jovens de 16 a 23 anos ligados a movimentos radicais por alegadamente prepararem um atentado em França, ofuscou outras notícias oficiais inquietantes sobre a violência urbana em França, divulgadas na mesma altura.

Durante as duas noites de festividades do dia nacional francês, a 13 e 14 de julho, foram incendiados 721 automóveis e detidas 603 pessoas, um aumento, respetivamente, de 23% e de 68% em relação aos números do ano anterior.

Os incidentes tiveram particular relevância em diversas cidades e vilas da região parisiense, mostrando que o ambiente nos subúrbios está longe de ter acalmado apesar das autoridades terem decretado a “tolerância zero” e de o país continuar a viver sob a vigilância reforçada do plano antiterrorista “vigipirate”.

Enquanto os franceses dançavam em centenas de bailes populares na noite do dia 13 e Paris se deslumbrava, na noite do dia 14, com um dos mais fantásticos fogos de artifício de sempre na Torre Eiffel, as forças da ordem não tiveram descanso nas periferias da capital e de outras cidades francesas, onde se verificaram por vezes cenas de guerrilha urbana e confrontos por vezes muito graves.

Numa entrevista, na tarde do dia nacional francês, o Presidente François Hollande não evocou a violência urbana, mas disse que as forças da ordem têm evitado atentados “todas as semanas” no país.

Pelo seu lado, o ministro do interior, Bernard Cazeneuve confirmou na noite de quarta-feira a detenção de quatro jovens por alegadamente prepararem um atentado - "decapitação de um militar" - para 7 de janeiro de 2016, data do primeiro aniversário do ataque ao semanário satírico "Charlie Hebdo".

François Hollande confirmou que o plano de vigilância alerta-atentados, que implica a tolerância zero em todo o país, continuará em vigor pelo menos até ao fim de 2015.