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Internacional

Camarões. Norte põe fim às burqas e véus para “prevenir terrorismo”

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Região norte do país que faz fronteira com a Nigéria proibiu o uso de burqas e véus faciais, como forma de combate ao terrorismo na região e à expansão da ameaça do Boko Haram

Burqas e véus faciais banidos. Foi esta a medida de contraterrorismo implementada pela região norte dos Camarões após, no domingo passado, duas mulheres com vestes religiosas terem explodido em Fotokol, provocando pelo menos 14 mortes. Nesta medida, que não é extensível ao resto do país, estão abrangidas as burqas e os véus que cubram completamente o rosto das mulheres.

Além destas proibições, a região proibiu ainda - numa altura em que se aproxima o final do Ramadão - a reunião de muçulmanos em grandes grupos sem um pedido de permissão prévio. A notícia está a ser avançada pelo governador da região norte, Midjiyawa Bakari, citado pela Associated Press.

"Ninguém suspeitava delas", afirmou Bakari, referindo-se aos acontecimentos do passado domingo. "É por essa razão que pedimos às mulheres que deixem de usar véus e à polícia e militares que detenham todas as mulheres que os usem."

A decisão já foi contestada pelo líder religioso da cidade de Mora, naquela província, Imam Hamaounde Abba, que alegou que o uso do véu não é uma escolha para os seguidores da religião.

O grupo extremista islâmico Boko Haram tem atacado várias regiões na fronteira da Nigéria, o que tem levado as forças militares dos Camarões (onde cerca de 20% da população é muçulmana) e Chade a intensificarem os combates contra os extremistas em várias comunidades dos Camarões na fronteira com a Nigéria.

Também o Gabão (na quarta-feira), Chade (mês passado) e o Congo (em maio) anunciaram medidas semelhantes, na sequência de ataques suicidas na região, suspeitos de terem sido realizados por militantes do Boko Haram.