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Internacional

BCE junta-se ao FMI: é preciso aliviar a dívida grega

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Lagarde e Draghi defendem publicamente o que a Alemanha não tem mostrado disponibilidade para aceitar - um alívio da dívida da Grécia

JULIEN WARNAND / EPA

Há mais um credor a tocar no tema sensível: agora é Draghi a defender o alívio da dívida grega, algo em que o FMI tem insistido nos últimos dias (admite inclusivamente um corte direto da dívida). BCE decidiu também aumentar a linha de financimento de emergência da banca helénica

Lagarde, que de repente se tornou uma das vozes mais favoráveis à pretensão grega de aliviar a dívida do país, já não está sozinha (pelo menos publicamente sozinha): Mario Draghi, presidente do BCE, alinhou esta quinta-feira com a líder do FMI. "É necessário um alívio da dívida grega. Nunca ninguém disputou essa questão, a dúvida é saber qual é a melhor forma de fazê-lo, tendo em conta o nosso enquadramento legal”, declarou o presidente do Banco Central Europeu (BCE).

Draghi falava numa conferência de imprensa em que anunciou o aumento em 900 milhões de euros da linha de emergência de liquidez (Emergency Liquidity Assistance - ELA) para os bancos gregos. O montante passa a fixar-se nos 89.900 milhões de euros.

"As coisas mudaram, agora temos uma série de notícias que dão conta da aprovação do empréstimo-ponte e o início das negociações para o resgate grego nos parlamentos", justificou. "A decisão de aumentar a ELA é simétrica à decisão de ter congelado a ELA no passado."

Questionado sobre se acredita que a Grécia vai cumprir os seus compromissos financeiros - a começar pelo pagamento na segunda-feira ao BCE -, Draghi respondeu que sim ."A informação que tenho é que os pagamentos dos empréstimos serão efetuados ao BCE e ao FMI também", apontou.

Instado a comentar a entrevista de Schäuble, esta quinta-feira, a uma rádio alemã - em que o governante germânico insiste que o Grexit temporário seria a melhor solução -, Mario Draghi recusou tecer qualquer comentário, limitando-se a dizer que lhe cabe trabalhar tendo em conta o cenário de que a Grécia deve continuar na moeda única.

O líder do BCE aproveitou ainda para deixar um recado a Alexis Tsipras, que admitiu ter dúvidas quanto ao programa de resgate: "Qualquer dúvida sobre a implementação [ do programa] cabe ao Governo grego dissipar, demonstrando vontade e capacidade".

O perdão “clássico”

Merkel está contra “perdão clássico”

Merkel está contra “perdão clássico”

FABRIZIO BENSCH / Reuters

O alívio da dívida tem sido um tema sensível nas sucessivas reuniões em Bruxelas - com a Alemanha a ser das mais resistentes. Merkel já disse que não está em cima da mesa um “perdão clássico” da dívida grega. Mas o FMI tem uma leitura substancialmente diferente: ainda esta semana, um relatório da instituição liderada por Christine Lagarde defendeu três saídas para o problema da dívida grega, prevendo o tal alívio: um período de carência de três décadas para a dívida aos fundos europeus e a extensão dramática das maturidades, transferências anuais para o Orçamento do Estado helénico ou então um corte direto da dívida.

Mais: o FMI não tem dúvidas de que a dívida grega é insustentável e sublinha que a Grécia necessita de um alívio da dívida "muito além" dos planos da União Europeia. “A dramática deterioração da sustentabilidade da dívida aponta para a necessidade de um alívio da mesma numa escala muito maior do que aquela que esteve sob consideração até ao momento - e que foi proposta pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade”.

Bruxelas também defende alívio da dívida

YANNIS BEHRAKIS / Reuters

Também um relatório da Comissão Europeia, divulgado esta quarta-feira, indica "sérias preocupações" do Executivo comunitário sobre a sustentabilidade da dívida helénica e refere também a necessidade de um "alívio substancial" da mesma. "A elevada dívida pública em relação ao PIB e as necessidades de financiamento resultantes desta análise apontam para sérias preocupações quanto à sustentabilidade da dívida pública da Grécia", pode ler-se no relatório da Comissão, que foi elaborado em conjunto com o BCE.

De acordo com o documento - que data de 10 de julho - e que foi apresentado durante as negociações deste fim de semana, será fundamental o alívio substancial da dívida grega e a extensão das maturidades dos empréstimos. Mas, para isso, defende Bruxelas, será preciso um programa de reformas na Grécia "abrangente" e "credível" e o compromisso do Executivo helénico para levar adiante esse programa.