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Internacional

As “palmadinhas” de consolo de Merkel que originaram uma hashtag nas redes sociais

Chanceler confrontou uma jovem palestiniana com as dificuldades da Alemanha em acolher todos os refugiados - a rapariga acabou em lágrimas. A situação não passou despercebida nas redes sociais e até já tem uma “hashtag”: #merkelstrokes (palmadinhas de Merkel)

Talvez Merkel esperasse apenas uma sessão de perguntas e respostas convencional, no final do encontro que teve com estudantes na cidade alemã de Rostock. Mas a intervenção de uma jovem palestiniana esta quarta-feira acabaria por tornar a conferência - curiosamente dedicada ao tema "Viver Bem na Alemanha" - em mais um motivo de crítica à chanceler alemã nas redes sociais.

"Eu gostava de ir para a universidade." Dita num alemão fluente, a frase desarmante foi proferida por Reem, uma jovem palestiniana que vive há quatro anos na Alemanha, após ter deixado um campo de refugiados no Líbano. Além de alemão, a jovem fala ainda árabe, inglês e sueco e revelou a sua vontade de aprender francês.

Mas Reem receia ser deportada a qualquer momento. A sua família apenas conseguiu um visto de asilo temporário, uma vez que o seu pai, um soldador, não fora autorizado a trabalhar no país. "Como não sei até quando posso ficar aqui, não sei o que o futuro me trará", explicou durante o encontro. "Quero mesmo estudar na Alemanha. É muito injusto ver a forma como outras pessoas podem aproveitar a vida e eu não."

A resposta de Merkel e as lágrimas de Reem

Respondendo à jovem palestiniana, Merkel tentou explicar-lhe que a Alemanha não tem possibilidade de acolher todos os que querem chegar à Europa. "Compreendo o que diz. Mas a política às vezes é dura."

A resposta de Merkel gerou uma onda de críticas. A chanceler alemã referiu que "a política é difícil" e que nem todos os pedidos de asilo podem ser aceites. Existem "milhares e milhares de pessoas" nos campos de refugiados da Palestina no Líbano "e, se dissermos 'podem vir todos'… não iremos conseguir gerir isso".

Confrontada com esta explicação, a jovem começou a chorar. Merkel tentaria resolver a situação com curtas palavras e palmadinhas nas costas, dizendo-lhe que não se preocupasse porque se tinha "saído muito bem" na intervenção - palavras que levariam o moderador do encontro a intervir: "Não penso que, senhora chanceler, isto seja sobre sair-se bem, penso que esta é uma situação stressante para ela..."

#merkelstrokes

A situação inesperada não passou despercebida nas redes sociais. Foram criadas hashtags para "gozar" com a situação, criticar a atuação de Angela Merkel e aquilo que muitos consideram uma falta de sensibilidade perante a situação de vida de Reem.

"#merkelstrokes [palmadinhas] com a mão fria de uma rainha de gelo", pode ler-se, em alemão, num tweet de Martina Wilczynski (@mawi1962). Outros, em inglês, não deixariam de mostrar a sua indignação, usando as hashtags #merkelstrokes e #empathy (na versão inglesa).

No entanto, houve mesmo quem defendesse a chanceler alemã. "Claro que todos gostaríamos que Merkel abraçasse Reem e lhe dissesse 'podes ficar', mas não foi isso que aconteceu", disse o moderador do debate, Felix Seibert-Daiker, ao jornal "Sueddeutsche Zeitung", afirmando que Merkel tentou apenas explicar a situação política do país (onde a vaga de imigração e pedidos de asilo têm levantado receios na Alemanha) a uma criança.

Apenas há uma semana, o ministro do Interior da Baviera reforçava a necessidade de se encontrar uma solução para acomodar todos os refugiados que chegam ao país e à região, alertando para o facto de que só na última semana chegaram "mais de cinco mil pessoas, muitas dos Balcãs".