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Tsipras ameaça demitir-se se não tiver apoio do Syriza

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YANNIS BEHRAKIS / Reuters

Votação no Parlamento do acordo com os credores só deverá acontecer de madrugada. Debate sobre os termos do terceiro resgate começou mais tarde que o previsto

O primeiro-ministro Alexis Tsipras deixou esta quarta-feira um aviso ao grupo parlamentar do Syriza, ameaçando demitir-se do cargo se não tiver o apoio dos deputados do próprio partido relativamente ao acordo alcançado com os credores, que é votado esta noite no Parlamento grego.

"Sou primeiro-ministro porque tenho um grupo parlamentar que me apoia. Se não tiver este apoio, será difícil manter-me como primeiro-ministro", afirmou Tsipras, citado pela Reuters, numa reunião com os deputados do partido.

A votação do acordo só deverá ocorrer de madrugada, uma vez que o debate começou mais tarde que o previsto - depois das 19h portuguesas, mais duas em Atenas. À porta do Parlamento, na praça Syntagma, estão já reunidas dezenas de manifestantes, entre os quais anarquistas e membros da juventude do Syriza, que protestam contra as novas medidas de austeridade acordadas com os credores e apelam aos deputados do partido para as rejeitarem na Assembleia. A manifestação já foi marcada por violência.

Tsipras esteve reunido com o grupo parlamentar do Syriza e lançou um desafio às vozes mais críticas, instando os deputados a apresentar uma solução alternativa ao acordo alcançado segunda-feira com as instituições europeias. Ainda não é certo quantos deputados do partido do Governo votarão contra o acordo, mas o jornal "Kathimerini" diz que o número pode chegar aos 40. Sabe-se para já que mais de metade dos membros do comité central do Syriza se opõem aos termos do resgate, que já provocou duas demissões no Governo - a ministra-adjunta e o secretário de Estado das Finanças deixaram esta quarta-feira os cargos, em oposição ao acordo.

A dimensão da revolta interna poderá provocar uma cisão no partido e uma nova crise política no país, eventualmente com a marcação de eleições antecipadas.

Ainda assim, o acordo deverá ser aprovado esta quarta-feira, uma vez que contará com os votos favoráveis de todos os partidos pró-europeus da oposição, nomeadamente os conservadores da Nova Democracia, os centristas do To Potami e os socialistas do PASOK. O partido neo-nazi Aurora Dourada e os comunistas do KKE já anunciaram que votarão contra.

artigo atualizado às 20h23