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Mullah Omar "aprova" conversações de paz no Afeganistão

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Em Jalalabad, afegãos preparam doces tradicionais para celebrar o Eid al-Fitr, a festa que marca o fim do Ramadão

PARWIZ/REUTERS

O líder dos talibãs apoiou, numa mensagem divulgada esta quarta-feira, as conversações de paz entre os talibãs e o Governo de Cabul. Mas a crescente presença de extremistas do autodenominado Estado Islâmico no país está a originar divisões no seio do "movimento dos estudantes"

Margarida Mota

Jornalista

O líder dos talibãs afegãos considerou, esta quarta-feira, "legítimas" as conversações de paz em curso no Afeganistão que visam pôr um ponto final à guerra que grassa no país há mais de 13 anos.

Mullah Omar aludiu ao processo de paz durante a tradicional mensagem anual que antecede o Eid al-Fitr, a festa que assinala o fim do Ramadão. "Se olharmos para as nossas leis religiosas, descobrimos que reuniões e até interações pacíficas com os nossos inimigos não são proibidas”, escreveu o líder dos talibãs numa declaração publicada no sítio oficial dos talibãs.

Vários encontros informais têm-se sucedido nos últimos meses entre quadros talibãs e representantes do Estado afegão. Na semana passada, uma reunião na cidade paquistanesa de Murree, a norte de Islamabade, foi considerada pelo jornal paquistanês "Dawn" um "significativo passo em frente".

Pela primeira vez, talibãs e representantes do Governo de Cabul estiveram oficialmente frente a frente. Estados Unidos e China foram observadores no encontro. As partes concordaram voltar a encontrar-se nas próximas semanas.

"O objetivo por detrás dos nossos esforços políticos é acabar com a ocupação", escreveu Mullah Omar.

Emergência do Estado Islâmico
Porém, a predisposição da liderança talibã para o diálogo não é consensual no seio do "movimento dos estudantes".

Muitos militantes continuam a defender que não deve haver conversações até que todas as forças estrangeiras sejam expulsas do território afegão. As tropas da NATO terminaram as suas ações de combate em dezembro passado, mas até finais de 2016 um pequeno contingente internacional continuará no país em ações de formação às tropas afegãs.

A divisão no seio dos talibãs, entre defensores e opositores às conversações de paz, agravou-se com a emergência no Afeganistão de um ramo do autodenominado Estado Islâmico (Daesh), que tem originado deserções no seio dos talibãs. ainda segundo o "Dawn", posições do grupo extremista já começaram a ser bombardeadas por drones (aviões não tripulados) norte-americanos.

Sem aparecer em público à vários anos, Mullah Omar vê cada vez mais a sua liderança contestada. Com frequência, surgem rumores acerca da sua morte, em virtude de problemas de saúde.