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Internacional

“Contabilista de Auschwitz” condenado a pena de prisão

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Oskar Groening, durante o julgamento num tribunal da cidade alemã de Lueneburg

AXEL HEIMKEN/REUTERS

Um tribunal alemão considerou Oskar Groening cúmplice na morte de 300 mil pessoas no campo de concentração de Auschwitz. Aos 94 anos, vai cumprir quatro anos de prisão

Margarida Mota

Jornalista

Oskar Groening, um antigo guarda do campo de concentração de Auschwitz, foi condenado esta quarta-feira a quatro anos de prisão, por um tribunal de Lueneburg, cidade do norte da Alemanha.

Aos 94 anos, Groening foi considerado cúmplice na morte de 300 mil pessoas, entre maio e julho de 1944. Neste período, centenas de milhar de judeus foram enviados da Hungria para Auschwitz-Birkenau, um campo de extermínio na Polónia ocupada pelos nazis. Entre 1940 e 1945, mais de um milhão de pessoas, na sua maioria judeus, foram assassinadas neste campo.

Durante o julgamento, o ex-oficial das SS, conhecido como "o contabilista de Auschwitz", testemunhou que era responsável por guardar os pertences confiscados aos prisioneiros e pela recolha do dinheiro que lhes era roubado. O tribunal considerou que essas funções foram importantes para manter o campo de extermínio em funcionamento.

Contrariamente a outros antigos nazis levados a tribunal, Groening falou publicamente do seu papel em Auschwitz. "Eu vi as câmaras de gás. Eu vi os crematórios. Eu estava na rampa quando os processos de seleção (para as câmaras de gás) começaram", disse no documentário "Auschwitz: os nazis e a Solução Final", produzido em 2005 pela BBC.

Groening disse que falava em público do assunto para calar os negacionistas do Holocausto. E durante o julgamento admitiu sentir-se "moralmente culpado".