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Bruxelas quer os 28 envolvidos no empréstimo-ponte à Grécia

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FOTO OLIVIER HOSLET/EPA

A Comissão Europeia propõe que se ative o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (MEEF) por um período que iria “até três meses”, de forma a mobilizar 7 mil milhões de euros

Não há uma solução simples para resolver o problema de liquidez imediata da Grécia. Atenas tem de pagar mais de 3,5 mil milhões de euros ao Banco Central Europeu, na próxima segunda-feira, e já tem em atraso 2 mil milhões ao FMI. Às dívidas somam-se as despesas com salários e pensões.

A Comissão Europeia propôs esta quarta-feira que se ative o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (MEEF) por um período que iria “até três meses”, de forma a mobilizar 7 mil milhões de euros.

O problema é que o Reino Unido já veio dizer que não gosta desta hipótese. O MEEF – uma espécie de fundo de resgate da União Europeia - tem como garantia o orçamento comunitário, o que significa que os 28 passam a ser credores da dívida, o que não agrada a muitos países que estão fora da moeda única.

“Alguns estados membros fora do Euro expressaram preocupações com as consequências financeiras negativas”, reconheceu o vice-presidente da Comissão Europeia com a pasta do Euro. Valdis Dombrovkis diz que o executivo comunitário está a trabalhar ao nível das garantias do empréstimo para “que os membros que não pertencem ao Euro fiquem seguros que esta decisão não vai ter consequências negativas para eles”, caso a Grécia não reembolse no futuro ao MEEF.

Entre as opções de garantia podem estar os 3,3 mil milhões de euros que o BCE e os Bancos Centrais Nacionais fizeram com a compra de dívida grega em 2014 e 2015. Deste dinheiro muito se falou nos últimos cinco meses. Tinha sido prometido a Atenas, mas o Eurogrupo adiou sempre a decisão da transferência, à espera que o governo do Syriza implementasse medidas e concluísse o segundo programa de assistência. “Os lucros do Eurosistema são uma possibilidade”, diz Dombrovsiks, que fala menciona ainda o orçamento comunitário e “outras opções”.

A Comissão ainda não tem o assunto fechado e admite até “que se possam combinar opções”, uma vez que dos 60 mil milhões que estavam no MEEF, 48,5 mil milhões já foram usados para os resgates português e irlandês. Ou seja, o MEEF pode não chegar para cobrir os 12 mil milhões de que Atenas precisa até meados de agosto.

“Usar o MEEF não é fácil”, reconhece ainda Dombrovskis adiantando que não “há um desacordo” fechado sobre o assunto e que as negociações e consultas ainda decorrem.

A outra opção “realista” segundo Dombrovkis passa por “empréstimos bilaterais” ainda que se mostre pouco crente de que outros países possam emprestar o dinheiro de que a Grécia precisa. “Não há atualmente qualquer perspetiva para ajuda bilateral”, diz o vice-presidente.