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Schäuble: “Encontrar solução de financiamento temporário para a Grécia vai ser difícil”

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FOTO RAINER JENSEN/EPA

O ministro alemão das Finanças defende que cabe à Grécia avançar com ideias para resolver as necessidades urgentes de liquidez. “Não sei se o orçamento da UE poderia ser utilizado para assegurar o financiamento ponte para a Grécia, eu não sou um especialista em direito da UE”, afirmou Wolfang Schäuble no final da reunião do Ecofin

O ministro alemão das Finanças disse esta terça-feira que será difícil encontrar uma solução para um empréstimo-ponte para a Grécia. Wolfang Schäuble parece também ter concordado com o seu homólogo britânico, George Osborne, levantando dúvidas quanto à possibilidade de se recorrer ao Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) para satisfazer as necessidades financeiras urgentes da Grécia.

"Encontrar uma solução de financiamento temporário para a Grécia vai ser difícil, é isso que vai ocupar a nossa atenção ao longo dos próximos dias. Não sei se o orçamento da UE poderia ser utilizado para assegurar o financiamento ponte para a Grécia, eu não sou um especialista em direito da UE", declarou o ministro alemão das Finanças no final da reunião do Ecofin.

O Executivo germânico defende que tem de ser a Grécia a avançar com ideias para resolver o problema do pagamento, cabendo ao governo helénico encontrar uma solução a nível interno. Schäuble não explica como, mas uma solução poderia ser a Grécia utilizar ativos do Estado como garantia para obter financiamento.

A questão do financiamento-ponte foi abordada durante a reunião desta segunda-feira dos ministros das Finanças dos 28 (ECOFIN). No final, o vice-presidente da Comissão Europeia com a pasta do euro, Valdis Dombrovskis, falou da possibilidade de se recorrer ao Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (MEEF), mas confirmou que vários países fora da zona euro têm reservas quanto à sua utilização.

Um empréstimo do MEEF, que não é nada mais do que um fundo de resgate da União Europeia, é garantido pelo orçamento comunitário e tem de ser aprovado pelos 28 e não apenas pelos 19 países da zona euro. O Reino Unido coloca porém obstáculos a esta solução, como admitiu esta terça-feira o próprio ministro britânico das Finanças. Outra hipótese são os empréstimos bilaterais de outros países à Grécia.

Uma outra solução poderá passar pela transferência dos lucros que o Eurosistema (BCE e bancos centrais) fez com a compra de dívida grega em 2014 e 2015. No total, são 3,3 mil milhões de euros, mas só a parte referente a 2014 (1,85 mil milhões) estaria imediatamente disponível. No entanto, fonte europeia diz ao Expresso que o governo austríaco pode colocar reservas.

Se as medidas previstas no acordo forem aprovadas, deverá levar assim à transferência de um montante até 7 mil milhões de euros a 20 de julho e mais 5 mil milhões de euros até meados de agosto, segundo o documento do final da Cimeira da zona euro. São estas as necessidades imediatas de Atenas.

Este financiamento-ponte é essencial para a Grécia respeitar os seus compromisos financeiros, nomeadamente o pagamento de mais de 3,5 mil milhões de euros ao Banco Central Europeu (BCE) já na próxima segunda-feira. Caso contrário, o país entra em incumprimento.

O líder do Eurogrupo afirmou esta terça-feira de manhã que estão a ser avaliados "todos os instrumentos e fundos disponíveis", depois de na segunda ter referido que os ministros da zona euro ainda não tinham encontrado "a chave de ouro” para resolver o problema "complexo" do financiamento intermédio. Depois será agendada uma teleconferência do Eurogrupo - que pode acontecer num dia desta semana - para se discutir o tema. "Existem questões técnicas, legais, financeiras e políticas a considerar", indicou Jeroen Dijsselbloem.