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Carência de 30 anos ou corte direto da dívida: o que o FMI recomenda para a Grécia

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Instituição liderada por Christine Lagarde defende três cenários para a dívida grega: carência de 30 anos é um deles

JIM LO SCALZO / EPA

“Insustentável”, diz o FMI a propósito da dívida grega. Por isso, recomenda um alívio da mesma - já o defendeu antes e torna a fazê-lo

Um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) indica que a Grécia necessita de um alívio da dívida "muito além" dos planos da União Europeia, prevendo que possa alcançar um pico de 200% do produto interno bruto (PIB) ao longo dos próximos dois anos.

"A dramática deterioração da sustentabilidade da dívida aponta para a necessidade de um alívio da mesma numa escala muito maior do que aquela que esteve sob consideração até ao momento - e que foi proposta pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade", pode ler-se num documento divulgado pela Reuters.

De acordo com o relatório, a situação agravou-se com o encerramento dos bancos e o limite de levantamento diário de 60 euros nas caixas multibanco há duas semanas. "O controlo de capitais está a ter um forte impacto sobre o sistema bancário e a economia, levando a uma maior deterioração significativa na sustentabilidade da dívida em relação ao que foi projetado no nosso relatório recentemente publicado", acrescenta.

Os técnicos do FMI antecipam três cenários: um período de carência de três décadas para a dívida aos fundos europeus e a extensão dramática das maturidades, transferências anuais para o Orçamento do Estado helénico ou então um corte direto da dívida.

Estas conclusões constam de um relatório do FMI que foi entregue aos governantes da zona euro, depois de se ter chegado a acordo de princípio com vista a um terceiro resgate à Grécia.

Alexis Tsipras já defendeu que o documento do organismo liderado por Christine Lagarde dá razão aos argumentos do seu Governo, nomeadamente a necessidade de reestruturar a dívida grega.

No passado dia 2 de julho, um relatório do FMI já defendia o perdão da dívida, caso o país não avançasse com profundas reformas. O primeiro-ministro helénico disse na véspera do referendo, numa declaração ao país, que o documento confirmava "o óbvio, que a dívida [grega] não é sustentável".

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